HOMENAGEM

Renato Nalini: São Paulo não merece uma estátua?

A Índia inaugurou no último dia de outubro a maior estátua do mundo, em homenagem ao herói da Independência, Valabhbhai Patel. É um monumento de 182 metros, quase cinco vezes o Cristo Redentor.
Foram utilizados 210 mil metros cúbicos de cimento, 25 mil toneladas de aço e 1.700 toneladas de bronze. Foram quatrocentos milhões de dólares, um um bilhão e meio de reais. Dir-se-á: para que tudo isso?
Primeiro, há o aspecto simbólico. A Índia sabe cultuar seus heróis. Já se disse que o Brasil não tem nenhum Nobel em sua história porque não tem heróis. Cada vez que um brasileiro se destaca, a legião daqueles que querem denegri-lo se arma de todos os argumentos para detonar a honra, a respeitabilidade e a fama do candidato. Em todos os setores.
Em segundo, há o retorno em termos de turismo. Quantas pessoas do mundo inteiro não vão querer agora visitar a atração, erguida junto ao rio Narmada, no estado natal de Patel, Gujarat? Foram cinco anos de investimento, mas uma eternidade – em termos de vida humana – de culto a quem queria uma Índia vigorosa, forte, sensível e vigilante. Não nos esqueçamos de que a Índia foi colônia inglesa até 1947.
As demais estátuas gigantescas são o Buda do Templo da Primavera, na China, que tem 128 metros, Laykyun Setkyar no Mianmar, com 116 metros. Perto delas, a Estátua da Liberdade em NY, com seus 46 metros, fica anã. Assim como o nosso Cristo Redentor, com 36 metros.
Houve um tempo em que Ademércio Lourenção planejava edificar uma estátua de São Paulo no pico do Jaraguá. Ideia pioneira, que deveria ser retomada. O Apóstolo dos Gentios, aquele que não conviveu com Cristo, mas foi se grande defensor, é um exemplo de cristão e de educador.
O Jaraguá já teve mina de ouro e é tão próximo à Capital e da nossa macrorregião. Poderia funcionar como uma atração turística se tivesse a estátua, um museu com a história do nosso Estado e recompusesse a mata nativa, já tão depauperada próxima à insensatez metropolitana chamada capital paulista.
Talvez o governador João Dória, se deixarem, se convença de que esse é um projeto em que vale a pena investir. Precisamos também resgatar a autoestima, tão prejudicada pelos “malfeitos” praticados por aqueles que têm a obrigação de ser paradigmas éticos.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente universitário e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters

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