ARTIGO

Viremos a página

Daqui a dois dias é 2019. A convenção de se compartimentar o tempo e observar calendário é algo que se entranhou em nós humanos. Faz-nos renovar os propósitos, fazer listas de projetos a serem implementados. É sempre uma alavanca a motivar ascensão em nossos sentimentos. A esperança aflora outra vez.

2019 tem um componente muito instigante. A cidadania mostrou que um país emergente, este laboratório antropológico em que existem todos os estágios da civilização, este festival de desigualdades e de injustiças às vezes mostra saber o que quer. E também o que não quer.

A Democracia Representativa desmoronou. Testemunho de que talvez tenha chegado a hora, ainda que serodiamente, de se levar a sério a Democracia Participativa.

Participar é fundamental. Dá trabalho, principalmente para quem se acostumou a reclamar direitos, mas não quer assumir deveres, nem obrigações, menos ainda responsabilidades.

O Brasil sofreu continuados assaltos e conseguiu subsistir. Mercê do trabalho anônimo de milhões de brasileiros que continuaram a desempenhar o seu papel e não se deixaram abater pelos crimes perpetrados por representantes mancomunados com a mais escancarada exacerbação da ganância.

Agora é hora de reconstruir a Pátria. A partir da assunção de um compromisso ético. A única matéria-prima de que o País se ressente é a ética. A ciência do comportamento moral do homem quando em sociedade.

As crianças precisam saber que ainda é válido ser honesto, ser probo, ter compaixão e comiseração pelos mais frágeis. A respeitar a diversidade e a encarar cada ser humano como um semelhante.

É preciso revigorar a crença no estudo e no trabalho. O maior patrimônio de um ser humano é o seu caráter. Invertamos a equação que premia a matéria, em detrimento do espírito. Lembremos a infância e a juventude da única realidade inafastável: a morte. Ela é a mais democrática das ocorrências e está à nossa espreita. Não sabemos quando ela chegará. Mas temos a certeza de que ela acontecerá.

Nesse período em que nos foi oferecida a graça da existência, valorizemos nossa passagem por este Planeta. Dialoguemos, procuremos nos entender e a perdoar. Acima de tudo, façamos a nossa parte, sem esperar que benesses venham do governo ou caiam do céu.

Viremos a página do ressentimento e da ira e nos abracemos como peregrinos na mesma jornada, cujo final é de ser a cada dia lembrado. Para que sejamos mais humanos, mais solidários, mais fraternos. Feliz 2019 para todos!

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed. – RT-Thomson

JOSÉ RENATO NALINI

 

 

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