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Após se apresentar à Polícia Civil, dono de bar é indiciado por morte de irmãos no Corrupira

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí indiciou por duplo assassinato o proprietário do bar no Jardim Corrupira onde, na noite do último domingo, foram mortos os irmãos Rodrigo Ladeira Scrico, de 43 anos, e Ricardo Antonio Ladeira Scrico, 46, ambos comerciantes. Os parentes foram baleados com disparos na cabeça e morreram ainda no local, conhecido como “Bar do Palitó”, na avenida Nicola Acieri. Marcas de luta foram achadas no estabelecimento, cujo dono não foi encontrado após o crime. Principal suspeito, ele se apresentou ontem à Polícia Civil com seu advogado.

Ayrton Macena dos Santos, 44, deu sua versão sobre o ocorrido, afirmando que a arma usada na morte dos irmãos era de propriedade de um deles, Ricardo. Alegou que nunca possuiu arma, apesar de seu filho, no dia do crime, ter dito a policiais militares que ele guardava uma no bar.

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Sobre os disparos, afirmou que apenas se defendeu, sendo eles “acidentais”. Ricardo foi ferido com dois tiros na cabeça. Já Rodrigo foi baleado com um tiro na cabeça e outro na perna direita. Quanto a arma, alegou que a levou embora e a deixou em uma casa abandonada, onde permaneceu escondido. Não soube explicar, no entanto, por qual razão a polícia não a encontrou no imóvel ao procurá-la.

Segundo ele, o confronto com os irmãos foi presenciado por uma mulher que costuma ir ao bairro visitar conhecidos e tomar algumas cervejas no bar, além de outras duas pessoas que jogavam baralho com as vítimas antes da discussão. Sobre tais pessoas, disse apenas que a mulher se chama Maria, e que desconhece as outras duas.
Contou ainda que, após os disparos, deu carona à mulher até um terminal, desconhecendo o endereço dela. Mas se comprometeu a passar informações sobre as testemunhas caso conseguisse.

Depoimento
O caso foi apurado pela equipe Apolo 3 (Gigio, Júlio e Samuel), explicou o investigador-chefe da DIG, Almir de Oliveira. No dia do crime, disse, os policiais estiveram no local para acompanhar os trabalhos de peritos do Instituto de Criminalística (IC) e conversar com testemunhas, descobrindo sobre o possível envolvimento do comerciante na morte dos irmãos.

Ontem, a equipe participou do depoimento de Ayrton dado ao delegado Luís Carlos Duarte. Ouviram detalhes dados pelo interrogado, que iniciou dizendo que trabalhava normalmente naquele domingo, enquanto os irmãos jogavam baralho com os outros dois clientes.

Em determinado momento, contou que jogou uma partida de bilhar com um senhor que não conhecia e perdeu R$ 250. Afirmou que o homem foi embora em seguida e achou estranho ter perdido daquele jeito ao desconhecido, saindo até a frente do bar para ligar a um amigo e perguntar sobre quem seria aquele senhor, que dirigia um Gol de cor cinza.

“Afirmou que foi informado pelo amigo que tal pessoa era um ‘rato’, ou seja, um jogador profissional e ladrão no jogo, orientando que não jogasse com ele”, informou um dos policiais da Apolo 3.

Prosseguindo no depoimento, contou que a conversa que teve com o amigo ao telefone foi ouvida pelos irmãos comerciantes, tendo um deles, Ricardo, se levantado para confrontar o dono do bar, já que acreditava que o acusado falava de seu irmão Rodrigo ao telefone.

Garantiu ter dito a Ricardo que a pessoa da conversa não se tratava de seu irmão, o que não teria adiantado, já que começou a ser ofendido. Disse que as pessoas que jogavam baralho com os irmãos tentaram “apaziguar a situação”, mas foram embora assim que perceberam que não conseguiriam.

Em seguida, continuou Ayrton, Ricardo deu um tapa em sua mão, derrubando o aparelho celular. Sacou então uma arma e deu uma coronhada na cabeça do depoente, que se defendeu e entrou em luta corporal com o suposto agressor. Foi, então, agredido pelo irmão dele, que o atacou com uma vassoura ou rodo, momento em que a arma disparou.

Disse que não viu se o tiro atingiu alguém, e que conseguiu tomar a arma neste momento, atirando em direção ao carro de Rodrigo quando este correu em direção ao automóvel. Afirmou, então, que a arma “travou” e Ricardo a pegou novamente, ocorrendo nova luta corporal e outro disparo enquanto este último tentava “arrumar a arma”.

Ainda durante o embate, disse que um quarto disparo foi dado, atingindo Ricardo, que caiu abraçado com o declarante. Neste momento, pegou a arma e fugiu em seu carro, dizendo ainda que Rodrigo chegou a dizer que “acabaria” com ele, sem conseguir explicar como o irmão de Ricardo foi achado morto com um tiro na cabeça e outro na perna.

Segundo o investigador Almir de Oliveira, a DIG agora tenta identificar as supostas testemunhas e analisa sobre um possível pedido de prisão preventiva contra o dono do bar, que foi liberado por não estar em estado flagrancial.

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