SALVO CONDUTO

Imobiliária de Jundiaí é alvo da Polícia Federal após apreensão de 16 milhões com comitiva de Guiné Equatorial

Uma imobiliária de Jundiaí, localizada na rua do Retiro, foi alvo, nesta quarta-feira (10), de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal durante a Operação Salvo Conduto de combate a lavagem de dinheiro e outros crimes. As ações são resultado de investigação iniciada em março deste ano, reforçada pela apreensão, no dia 14 passado, de mais 16 milhões de dólares não declarados com a comitiva do vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangu, conhecido como Teodorin, no Aeroporto Internacional de Viracopos.

Outros mandados foram cumpridos em São Paulo e no Distrito Federal, informou a PF, que, em Jundiaí, esteve na Nova Forma Soluções Imobiliárias S/A para o cumprimento da ordem judicial. Segundo as investigações, o estabelecimento tem em seu nome uma cobertura na capital paulista, considerada uma das mais caras de todo o país e adquirida por Teodorin, com avaliação aproximada de R$ 70 milhões.

“O primeiro inquérito policial foi instaurado em março de 2018, depois do envio de informações do Ministério Público Federal, no mês anterior, para que a Polícia Federal iniciasse investigação para apurar o crime de lavagem de dinheiro em razão dos indícios de ocultação de propriedade relacionada à compra, em 2008, de um apartamento duplex localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo. O imóvel foi adquirido, na época, por R$ 15 milhões. As investigações apontam que o imóvel, adquirido por uma empresa com capital social de R$ 10 mil, pertenceria ao investigado”, explica o setor de Comunicação Social da PF.

Já o segundo inquérito, esclarece a instituição, foi instaurado no dia 20 de setembro passado, após a apreensão de US$ 1,4 milhão e R$ 60 mil em espécie, além de 20 relógios de pulso, avaliados em US$ 15 milhões. Os bens foram trazidos do exterior sem a declaração de bens e valores obrigatória. “Desta forma, são apurados dois atos de lavagem de dinheiro, o primeiro relativo à aquisição, por meio de interposta pessoa, de um apartamento de luxo, e o segundo relacionado à ocultação de movimentação de bens e valores ao entrar Brasil”, informa.

A PF também informou que solicitou à Justiça Federal o sequestro do imóvel, dos bens e valores apreendidos no Aeroporto de Viracopos e de sete veículos de luxo – um deles avaliado em R$ 2 milhões. “As investigações prosseguem com a colheita de depoimentos, análise do material apreendido e pedido de cooperação jurídica internacional, para esclarecer a participação de todos os envolvidos”, acrescenta, finalizando que o crime de lavagem de dinheiro tem penas que variam de 3 a 10 anos de reclusão.

Vice-presidente
Teodorin é filho do ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de 76 anos, líder do golpe de estado sangrento que depôs, em 3 de agosto de 1979, o próprio tio, Francisco Macías, morto por fuzilamento no dia 29 de setembro do mesmo ano. É apontado pela revista Forbes como o oitavo governante mais rico do mundo, à frente da Rainha Elizabeth II, do Reino Unido, apesar de Guiné Equatorial ser considerada um dos países mais pobres do globo, na 141ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entre 189 países.

Localizada na parte ocidental da África, a Guiné Equatorial faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e é a terceira maior produtora de petróleo da África Subsaariana, com grandes reservas descobertas em 1996. A receita obtida pela comercialização de tal produto, no entanto, nunca refletiu em bem-estar da população, com grande parte dela sem acesso até mesmo à água potável.

Por outro lado, Teodorin, que foi promovido pelo pai a vice-presidente em 2016, e familiares são conhecidos em todo o mundo pela ostentação de uma riqueza ímpar, que chegou a incluir a maior coleção pessoal de artigos que pertenceram ao pop star Michael Jackson, além de jatos, relógios com diamantes incrustados, carros superesportivos e mansões em diversos países do mundo.

Condenado nos Estados Unidos, Teodorin abriu mão de uma mansão e de um carro de luxo para evitar ser preso. Ficou com um jatinho. Já na França, foi condenado a três anos por corrupção, tendo vindo ao Brasil diversas vezes e até mesmo financiado em 2015, com R$ 10 milhões, a escola de samba carioca Beija-Flor, que venceu naquele ano com um desfile em homenagem ao país africano.

COMENTE

Loading Facebook Comments ...

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *