INTERVENÇÃO

Líder da Câmara de Itupeva quer investigar hospital

Mau atendimento, erros de diagnóstico e tempo de espera de até 8 horas. Essas são algumas das reclamações que o presidente da Câmara de Itupeva, Eri Campos (PSB), tem escutado constantemente sobre o Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Aparecida. Apesar da intervenção decretada pelo prefeito Marcão Marchi (PSD) nesta terça (4) ele acredita que seja necessário instaurar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para solucionar o problema. A comissão, porém, precisa ser aprovada por pelo menos 5 dos 13 vereadores municipais, e não há parlamentares suficientes dispostos a comprar a briga.

Segundo o decreto de intervenção divulgado pela Prefeitura de Itupeva, o município recebeu um ofício do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed) afirmando que os profissionais que trabalham no hospital não estão recebendo seus devidos salários desde o mês de outubro. O prefeito decidiu intervir, colocando servidores para administrar os repasses financeiros por 90 dias.  No entanto, a organização social responsável pela administração do hospital, a Associação Paulista de Gestão Pública (APGP), não será afastada dos trabalhos. “Que tipo de intervenção é essa onde a empresa que está causando os problemas continuará recebendo? Por que a prefeitura não estava fiscalizando o destino desses repasses antes?” questiona o chefe do Legislativo itupevense.

Para ele, o motivo da intervenção é outro: irregularidades no contrato apontadas pelo Tribunal de Contas de São Paulo (TCESP). Segundo o documento da Corte, que julgou, em 23 de outubro, o processo iniciado por um auditor hospitalar, a prefeitura não conseguiu comprovar que a transferência dos serviços de saúde à organização social era, de fato, a melhor opção e mais econômica.  O TCESP também aponta que o sistema remuneratório do hospital foi considerado precário, pois “não estabelece estrita equivalência entre pagamentos e serviços prestados”, diz o texto da decisão. A APGP foi contratada por R$ 20,2 milhões para prestar serviços de maio de 2018 a abril de 2019.

A reportagem esteve no hospital na tarde desta quarta (5) e constatou o problema. Marilza Cristina, de 46 anos, afirmou que, na última vez que esteve no hospital para tratar uma doença pulmonar, há dois meses, foi embora sem atendimento. “Passei a noite em observação, tiraram meu sangue três vezes e não me deram satisfação nenhuma”, afirmou. A diarista Priscila Nunes, 28 anos, também teve problemas durante seu parto. Ela conta que não havia médicos durante a noite e, na manhã, o parto foi realizado por uma enfermeira. “A médica ficava do lado dando instruções, mas só colocou a mão em mim para tentar estancar uma hemorragia, que ela disse não ser grave”, diz.

No dia seguinte, outro médico a atendeu e afirmou que ela havia ficado com restos de placenta dentro de si, o que poderia ter causado uma infecção grave. “Também tive que fazer duas transfusões de sangue, fiquei com anemia e vou ter que fazer uma cirurgia para resolver as sequelas do parto”. A administração do hospital foi procurada, sem sucesso. Já a Prefeitura de Itupeva afirmou, por nota, que sempre houve uma comissão fiscalizando os termos do contrato. “A empresa já havia sido notificada, mas como os problemas continuaram a intervenção foi feita”.

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