JUNDIAÍ-MIRIM

Polícia Civil investiga tentativa de homicídio de casal gay

Um caso de tentativa de homicídio contra um casal homossexual chamou atenção em Jundiaí na última sexta-feira (30). Na ocasião, um comerciante de 43 anos foi preso por tentar matar os dois homens, que estavam namorando dentro do carro em frente à sua casa no bairro do Jundiaí-Mirim.
Não há dados sobre esse tipo de crime, já que a Secretaria de Segurança Pública, responsável pelas estatísticas criminais no estado, não detalha especificamente crimes de ódio ou de intolerância. Sequer o feminicídio, que já previsto em lei, é discriminado nas estatísticas oficiais.
O fato registrado em Jundiaí, segundo representante da ONG Aliados, Jéssica Matias, é considerado preocupante. “Infelizmente essa não é a primeira vez que isso acontece na cidade. Mas esse caso ganhou proporções através da mídia”, disse.
De acordo com Jéssica, a ONG Aliados atua, defende e protege os direitos LGBT em Jundiaí. “E por isso, embora exista um grande descaso da cidade, a esperança e a união são maiores em relação a união do povo LGBT”, afirma.
Jéssica confirma que a ONG está tomando as devidas providências para que o caso tenha uma solução. “No entanto, o público LGBT continua na incerteza e inseguro, quando acontecem casos como esses. Creio que esse fato possa servir como um verdadeiro alerta sobre a intolerância que ainda existe em Jundiaí”, ressalta.

INVESTIGAÇÃO
Segundo o delegado Antônio Dota Júnior, titular do 3º Distrito Policial, o caso será investigado como tentativa de homicídio. “A Polícia Civil vai investigar todas as circunstâncias e os fatos que ensejaram a ação do autor através de um inquérito policial, que será remetido ao Poder Judiciário. Aqui ninguém está questionando qualquer preferência de sexualidade e sim a autoria de um crime contra o ser humano”, explica.
Questionado sobre o cenário de tentativas de homicídios na área de cobertura do 3º Distrito Policial, Dota foi enfático. “Não há surtos de violência nesse sentido. Nós temos atendido ocorrências normais, de uma área densa, com bastante índice populacional, dentro de um número normal”, detalha.
Por fim, o delegado salienta que ninguém pode prever uma tentativa de um crime contra pessoa. “Pois isso é íntimo, é da pessoa que prática. Não há uma prevenção sobre isso. Então, uma vez ocorrendo, a Polícia vai investigar o caso como um crime comum, dentro dos meios investigativos e permitidos pelo Código de Processo Penal”, encerra.

Rui Carlos

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