delação, PF, Jucá

Polícia Federal cumpre mandado em Campo Limpo Paulista

A Polícia Federal faz uma operação na manhã desta quinta-feira (8) para investigar suposta propina paga pela Odebrecht para o senador Romero Jucá (MDB-RR) em troca da aprovação, em 2012, de uma resolução no Senado que restringia a chamada “guerra fiscal nos portos”. Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos no estado de São Paulo, entre eles, em São Paulo, Santos e Campo Limpo Paulista.
Na capital paulista, a PF foi à sede da Odebrecht na Marginal Pinheiros e em escritórios no Itaim Bibi, na Zona Oeste.

Segundo a reportagem, o senador não é alvo direto da ação, intitulada Armistício, mas a operação faz parte de um inquérito, já aberto no Supremo, no qual o senador é investigado. Os alvos desta quinta, mantidos sob sigilo, são pessoas que teriam se beneficiado da resolução aprovada no Senado.
De acordo com a PF, o senador teria recebido ilegalmente R$ 4 milhões da Odebrecht.

O ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, disse em depoimento que os repasses ao Jucá somam R$15 a R$16 milhões. Cláudio afirmou que Jucá era o político com o qual tinha maior relacionamento. “Ele tinha atenção pela empresa, e resolvia os assuntos”.
Além de Jucá, no inquérito são investigados o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o ex-senador Gim Argello. Além dos dois senadores, a Procuradoria-Geral da República afirma que um terceiro está entre os investigados.

A pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ordem para a execução das medidas foi dada pelo relator do caso no STF, o ministro Edson Fachin.
Segundo a PGR, os pagamentos indevidos foram mencionados nos depoimentos de três colaboradores, incluindo Marcelo Odebrecht. O executivo contou aos investigadores ter conversado com integrantes do Executivo Federal que indicaram parlamentares que poderiam “trabalhar em prol do assunto no Senado”. Documentos que pautaram a investigação revelam que os pagamentos foram feitos em espécie e se iniciaram logo após a aprovação da matéria no Senado, o que aconteceu em 24 de abril de 2012.

Ainda de acordo com os colaboradores, os pagamentos foram coordenados pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht. Para dar aparência de legalidade e justificar a transferência de valores foram firmados contratos fictícios de prestação de serviços. “Por meio desse engenhoso esquema de lavagem, a Odebrecht abastecia o doleiro que fazia o repasse de dinheiro às autoridades brasileiras e, ao mesmo tempo, dificultava o rastreamento da real origem do numerário”, afirmou Dodge.
Os investigadores já reuniram indícios da prática de corrupção e lavagem de dinheiro.

 

 

 

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