NUNCA MUDA

Marginal do rio Jundiaí mantém problemas há anos, sem perspectivas de mudanças

Buracos no asfalto que geram problemas nos carros. Necessidade de andar na rodovia sob o risco de ser atropelado por conta da falta de vias específicas para pedestres. Medo de assaltos. Não são poucas as reclamações de quem vive ou convive diariamente na marginal do Rio Jundiaí, nos trechos entre Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista e Jundiaí. Os problemas persistem há anos e, pelo andar da carruagem, não serão resolvidos

Em pouco mais de uma hora, o Jornal de Jundiaí percorreu toda a extensão da marginal do Rio Jundiaí. A reportagem observou diversos cidadãos atravessando, caminhando ou até encostando o carro na lateral das vias, tanto no sentido Jundiaí como no sentido Campo Limpo Paulista. “No horário de pico fica pior ainda”, conta Antônio Jacintho, que precisar descer do ônibus intermunicipal na região, caminhar pouco mais de um quilômetro antes de tomar outra condução para conseguir chegar em casa.

Há 12 anos, faz parte da rotina de Antônio andar no que seria o acostamento – inexistente – da marginal. Ele revela a necessidade de atenção em todos os momentos: “Já teve motorista que jogou o carro em cima de mim. Aqui direto tem gente atropelada ou quase atropelada. Ninguém diminui a velocidade”, diz.

EXCESSO DE BURACOS E FALTA DE ÔNIBUS

Cláudio Silva, de 53 anos, pedreiro, contou à reportagem do JJ que foi buscar emprego, mas pelo menos três vezes por semana passa pelo local, a pé. “Os caminhões também passam rápido. Se pegar um buraco e perder o controle, é mais um risco pra gente” detalha. “E nos horários que eu volto pra casa, os ônibus demoram muito para chegar. Quando você fica esperando, está suscetível a problemas”, diz.

Alexandre Brás tem 36 anos e recolhe material reciclável usado para vender. É a única fonte “fixa” de renda do homem que mora na marginal do Rio Jundiaí há sete anos. Para ele, o risco é ainda maior na rodovia para quem utiliza o carrinho de mão. “Tenho que ficar esperto sempre, mas tem muita gente que abusa da velocidade. Assusta a gente”, diz.

Ele reclama também da falta de conservação na marginal. “O mato aqui quase nunca é cortado. Pode ver, olha como está alto”, aponta o homem. Ele lembra também a necessidade do recapeamento da via. “Tem muito buraco. Muito carro acaba furando o pneu ou quebrando alguma peça. Os ônibus circulam cheio de problemas também, aí passa em um buraco e faz todo mundo pular.”

Graziella Fonseca tem 18 anos e há dois meses sai da empresa em que trabalha em Várzea Paulista, vai até o ponto embaixo do viaduto e tenta ir para casa. “Ouço muito sobre os assaltos, e, é claro, que tenho medo”, diz a jovem. “É o único lugar que consigo pegar a condução direto para Campo Limpo Paulista. A gente acaba assumindo o risco, né”, afirma. Márcia Dias também tem a rotina e agradece por sair cedo do trabalho: “Fica um pouco mais tranquilo, mas a gente ainda sente o risco”.

ASSALTOS CAUSAM MEDO

Joana Ferreira Barbosa, de 79 anos, afirma que mora há cerca de 25 na marginal do Rio Jundiaí, em Várzea Paulista. Ela conta que durante todos esses anos já viu muitos acontecimentos distintos no local. “O que mais me dá medo são os assaltos. Eu sou simples, não tenho objetos que alguém possa levar, mas vejo nos olhos das pessoas que passam aqui todos os dias esse receio”, afirma a varzina.

A senhora lembra que não é incomum que ladrões se escondam no meio do mato alto em frente a sua casa para roubar quem anda pela rodovia ou precisa pegar um ônibus intermunicipal no ponto embaixo do viaduto que dá acesso à Várzea Paulista. “Tem hora que a gente quer sair correndo e ir para outro lugar, mas não temos dinheiro. Não tenho condições de tirar as coisas daqui e ir para outro lugar, nem sequer temos pra onde. Aqui estamos na rua, mas conseguimos viver. Só tenho eles na família”., diz Joana, que mora com o companheiro, com o filho de 36 anos e a sua esposa de 44, além de seis cachorros que “fazem a segurança da casa”, em suas palavras.

A idosa recebeu a reportagem do Jornal de Jundiaí com as mãos molhadas e com ligeiro cansaço: “estava lavando a roupa. Aqui sobe muita poeira, mas pelo menos consigo plantar algumas ervas. Nós gastamos com remédio, mas pelo menos conseguimos segurar algumas coisas. Se depender de hospital aqui, fica difícil”.

PREFEITURAS FAZEM JOGO DE EMPURRA-EMPURRA

Os problemas da Marginal do Rio Jundiaí não são resolvidos há anos. Atualmente, o único projeto em andamento para melhorar a situação é do governo do estado em parceria com a Prefeitura de Jundiaí. O contrato foi assinado em abril de 2018 e, segundo a prefeitura, aguarda liberação da verba de R$ 3,5 milhões para início das obras. Está previsto o recapeamento, recuperação das margens do Rio Jundiaí e melhoria na segurança viária com sinalização e implantação de guard-rail, mas apenas no trecho de Jundiaí, que vai entrar com R$ 1,75 milhão como contrapartida. A obra deve levar 180 dias.

Questionada, a Prefeitura de Várzea Paulista afirmou que busca recursos com o governo estadual para a melhoria da via, mas não dá prazo para algum retorno. Em nota, a administração aponta que tem um amplo projeto de revitalização e só com a verba pode colocar tais ideias em prática. Enquanto isso, a prefeitura afirmou que busca realizar ações de corte de mato e roçagem “o mais rápido possível”.
Campo Limpo Paulista também afirmou à reportagem do Jornal de Jundiaí que busca recursos estaduais e federais para fazer manutenções efetivas na via. A Prefeitura Municipal, entretanto, também não especificou prazos ou explicou o teor do projeto.

 

 

MARGINAL DO RIO JUNDIAI
VARZEA PAULISTA
JACINTO SILVA

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