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‘Ebola já é o maior desafio depois da aids’

| 09/10/2014 | 18:38

O diretor do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), Thomas Frieden, comparou o surto de ebola no Oeste africano com o surgimento da aids. A escalada do ebola e as dificuldades para conter o avanço da doença na África e em outros continentes foi tema de uma reunião, em Washington, entre representantes dos países mais atingidos, Banco Mundial, da ONG Médicos sem Fronteira e do CDC.

“Eu diria que, em 30 anos de trabalho com saúde pública, a única coisa parecida foi a aids”, assinalou Frieden, durante fórum promovido pelo Banco Mundial. A referência do diretor do CDC é ao desafio de conter o surto, o maior enfrentado desde o descobrimento da aids, há 38 anos.
No encontro, representantes da Libéria, Guiné e de Serra Leoa, os três países mais atingidos, falaram dos problemas enfrentados para controlar e impedir novos casos. Quase quatro mil pessoas já morreram até agora na região por causa da doença.

Durante a reunião, o vice-diretor da Organização Mundial da Saúde (OMC), Bruce Alyward, informou que, pelo fato do vírus estar “enraizado” nas capitais desses países, combater o ebola é tarefa difícil. Segundo ele, os governos enfrentam desafio extraordinário, pois precisam comunicar a urgência da situação, mas não podem causar pânico.

A doença também atinge profissionais de saúde. Conforme a OMS, mais de 200 já morreram. Hoje, um médico liberiano morreu em um centro de tratamento em Monróvia, capital da Libéria. A crise é tão grave que as eleições para o Senado do país foram canceladas. É de origem liberiana o primeiro caso de ebola diagnosticado nos Estados Unidos.

O liberiano Thomas Duncan morreu ontem em Dallas, Texas, após desembarcar no país na segunda quinzena de setembro. Ele começou a apresentar os sintomas entre os dias 20 e 27 de setembro. Foi hospitalizado, mas não resistiu à enfermidade.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que uma resposta eficiente e urgente ao surto de ebola é a melhor maneira de combater o medo da doença.

Ban Ki-moon disse que é preciso reforçar, pelo menos 20 vezes mais, a mobilização de recursos para enfrentar o ebola. Ele cobrou investimentos em equipamentos médicos, laboratórios móveis, helicópteros e veículos, além de treinamento do pessoal da área de saúde. A doença já matou quase 3,9 mil pessoas e deixou mais de 8 mil infectadas.

 


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