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Alesp veta público e limita acesso da imprensa

Folhapress | 07/12/2019 | 11:10

A Assembleia Legislativa de São Paulo vem fechando o cerco para o público e para a imprensa que frequentam a Casa. As restrições de acesso se intensificaram a partir de novembro, quando começou a tramitar a reforma da Previdência proposta pelo governador João Doria (PSDB).

Na gestão do deputado Cauê Macris (PSDB), reeleito presidente da Casa em março e aliado de Doria, a entrada de repórteres no plenário foi proibida e, na última quinta-feira (5), o plenário foi fechado para o público, assim como o acesso ao prédio da Assembleia.

Macris argumenta que há um clima novo na Casa, de guerra entre extremos e de nervosismo à flor da pele, o que inspira cuidado com a segurança. Na última quarta-feira (4), por exemplo, o deputado Arthur do Val (ex-DEM e hoje sem partido) provocou o público e foi ameaçado de agressão por deputados do PT -houve empurra-empurra entre os deputados. “Vou garantir o bem mais precioso da democracia, que é o direito dos deputados de falarem e votarem no plenário”, disse Macris à reportagem.

Para o presidente, esse direito está ameaçado e há risco real de que o plenário seja invadido. Ele afirma que esse cenário não tem a ver com as restrições à imprensa, que ele condenou e promete reverter.

Assim como o estado, historicamente a Assembleia é comandada pelo PSDB. Com apoio de partidos aliados, a base de governo mantém a hegemonia tucana e aprova os projetos enviados pelo Palácio dos Bandeirantes.

Em temas sensíveis ao funcionalismo público, como a extinção de estatais e, agora, a reforma da Previdência, a galeria do plenário costuma ficar cheia. Em geral, o espaço é ocupado por sindicalistas e militantes de esquerda contrários ao governo Doria.

Quando estão em pauta esses projetos, a Casa tem a segurança reforçada, com mais policiais pelos corredores e revista do público. Na quarta-feira, foram apreendidas duas facas de serra.
Macris diz que o reforço de efetivo da PM vai continuar nos próximos dias. Diante da beligerância na Casa, o presidente providenciou a instalação de detectores de metal, portarias para controle de visitantes e circuito de câmeras.

A previsão é que os equipamentos de segurança estejam em funcionamento em quatro meses. O presidente lembra que a Assembleia do Paraná foi invadida em meio à tramitação da Previdência. “Todo esse contexto é motivo para precaução.”

Macris determinou que o acesso ao prédio fosse fechado com grades na quinta-feira. Segundo a presidência, por determinação da PM, pois havia público acima da capacidade da Casa.
“Não vou descumprir decisão de autoridade competente para segurança por conta de um discurso de que isso seja uma ação equivocada minha”, afirma o presidente.

O sindicato dos professores (Apeoesp), um dos principais que acompanha a discussão da Previdência, classificou a atitude como autoritária e inaceitável.


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