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Boris obtém vitória ampla no Reino Unido, mostra boca de urna

Folhapress | 12/12/2019 | 19:56

Os conservadores garantiram 368 cadeiras no Parlamento contra 191 do Partido Trabalhista, segundo pesquisa de boca de urna divulgada às 22h desta quinta-feira (19h, no horário do Brasil) pelas emissoras de TV britânicas. Se confirmada, a previsão significa que o primeiro-ministro Boris Johnson continuará à frente do governo e aprovará o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia até 31 de janeiro, como prometeu.

Os resultados das eleições serão divulgados ao longo da madrugada, e a previsão é que até as 6h de sexta (3h no Brasil) sejam conhecidos os resultados dos 650 distritos. A informação mais importante, porém, é se Boris assegurou uma maioria segura de cadeiras, resultado que deve ser conhecido por volta das 3h (meia-noite no Brasil).

Embora a boca de urna tenha feito boas previsões em eleições anteriores, analistas recomendavam cautela, principalmente a operadores do mercado financeiro -os resultados da eleição influenciam os preços de ações e da moeda britânica.

David Firth, estatístico da Universidade Warwick, e John Curtice, da Strathclyde, responsáveis pela metodologia das pesquisas, afirmaram que o modelo se baseia em tendências que podem não se repetir desta vez.

Não apenas a situação econômica e política mudou em relação aos últimos anos, mas esta foi uma eleição atípica também em relação aos temas e aos candidatos.

Boris Johnson, o líder dos conservadores, e Jeremy Corbyn, dos trabalhistas, têm alguns dos menores índices de aprovação da história britância, e na prática esta eleição acabou se transformando em uma espécie de novo referendo sobre o brexit.

Os conservadores se apresentaram como a única solução para resolver de uma vez a saída do Reino Unido, e os principais opositores se colocaram contra a separação ou a favor de um novo referendo público.

Essa captura do debate eleitoral pelo brexit fez crescer os apelos pelo voto útil e levou partidos a desistir da disputa em favor de aliados em alguns distritos, o que pode também afetar os resultados.
Quase invisível nas ruas de Londres, a campanha seguiu intensa até a última hora por meios menos públicos.

Nas seções eleitorais, representantes dos partidos conferiam a lista de quem havia comparecido e convocavam por telefone conhecidos que ainda não haviam votado.

A batalha foi intensa nas mídias sociais. A estimativa é que os dois principais partidos tenham gasto 2 milhões de libras (cerca de R$ 11 milhões) em anúncios no Facebook e no Instagram desde o final de novembro.

De terça-feira até a manhã desta quinta, a propaganda dos trabalhistas havia sido vista 4,9 milhões de vezes, contra 2,7 milhões dos anúncios conservadores, segundo dados das redes sociais.

Primeira a acontecer em dezembro desde 1923, esta foi a terceira eleição britânica em menos de cinco anos –período pelo qual deveria durar a legislatura.

O pleito anterior, em 2017, foi convocado para resolver impasse em relação ao brexit, mesmo motivo da votação atual.
Apesar do clima desfavorável -temperatura entre 4ºC e 8ºC, chuva e vento- e de o voto não ser obrigatório no Reino Unido, o comparecimento às urnas foi descrito como surpreendente.

Filas se formaram em várias seções ao longo da tarde e à noite, e a espera chegava a meia hora em alguma delas.
Eram 13 as pessoas que esperavam às 14h na fila de identificação da escola em que votou a a enfermeira aposentada Marilyn Murray, 76.

Com dificuldades para caminhar por causa dos efeitos secundários de uma quimioterapia, que lhe tiram o fôlego, Marilyn preferiu percorrer a pé os 300 metros que separam sua casa da escola primária em que votou (pelo sistema britânico, ela poderia ter recorrido ao correio).

Como cerca de 60% dos eleitores de seu distrito, Bethnal Green, Marilyn e sua neta, Savanah, 22, votou nos trabalhistas.

A maioria dos britânicos com mais de 60 anos, porém, prefere os conservadores, segundo as pesquisas. Em Uxbridge, distrito por que concorre Boris Johnson, a aposentada Diana Luxton, 74, declarou não confiar inteiramente no primeiro-ministro, mas preferir seu partido ao dos opositores.

Enquanto os britânicos decidiam o destino da saída da União Europeia, líderes dos outros 27 países que foram o bloco se reuniam em Bruxelas, capital da UE, para um encontro de dois dias. Boris Johnson foi o único chefe de governo a não comparecer à reunião.

As principais promessas dos conservadores nesta eleição são apresentar o acordo de divórcio de Boris Johnson até o Natal, para cumprir a promessa de alcançar o brexit até o final de janeiro, destinar mais 20,5 bilhões de libras (cerca de R$ 112 bilhões) ao sistema público de saúde (NHS) nos próximos cinco anos e contratar mais 50 mil enfermeiros e 20 mil policiais na Inglaterra e em Gales.

Os conservadores também prometem implantar um sistema de imigração semelhante ao da Austrália, que atribui pontos para quesitos como idade, escolaridade, experiência e profissão. Na prática, isso deve dificultar a entrada de estrangeiros menos qualificados, a não ser para trabalhos sazonais, como nas épocas de colheita.

Boris também prometeu não elevar o Imposto de Renda, as constribuições previdenciárias e o imposto sobre consumo.

Boris Johnson (Foto: reprodução internet)


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