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Boris obtém vitória ampla no Reino Unido, mostra boca de urna

Os conservadores garantiram 368 cadeiras no Parlamento contra 191 do Partido Trabalhista, segundo pesquisa de boca de urna divulgada às 22h desta quinta-feira (19h, no horário do Brasil) pelas emissoras de TV britânicas. Se confirmada, a previsão significa que o primeiro-ministro Boris Johnson continuará à frente do governo e aprovará o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia até 31 de janeiro, como prometeu. Os resultados das eleições serão divulgados ao longo da madrugada, e a previsão é que até as 6h de sexta (3h no Brasil) sejam conhecidos os resultados dos 650 distritos. A informação mais importante, porém, é se Boris assegurou uma maioria segura de cadeiras, resultado que deve ser conhecido por volta das 3h (meia-noite no Brasil). Embora a boca de urna tenha feito boas previsões em eleições anteriores, analistas recomendavam cautela, principalmente a operadores do mercado financeiro -os resultados da eleição influenciam os preços de ações e da moeda britânica. David Firth, estatístico da Universidade Warwick, e John Curtice, da Strathclyde, responsáveis pela metodologia das pesquisas, afirmaram que o modelo se baseia em tendências que podem não se repetir desta vez. Não apenas a situação econômica e política mudou em relação aos últimos anos, mas esta foi uma eleição atípica também em relação aos temas e aos candidatos. Boris Johnson, o líder dos conservadores, e Jeremy Corbyn, dos trabalhistas, têm alguns dos menores índices de aprovação da história britância, e na prática esta eleição acabou se transformando em uma espécie de novo referendo sobre o brexit. Os conservadores se apresentaram como a única solução para resolver de uma vez a saída do Reino Unido, e os principais opositores se colocaram contra a separação ou a favor de um novo referendo público. Essa captura do debate eleitoral pelo brexit fez crescer os apelos pelo voto útil e levou partidos a desistir da disputa em favor de aliados em alguns distritos, o que pode também afetar os resultados. Quase invisível nas ruas de Londres, a campanha seguiu intensa até a última hora por meios menos públicos. Nas seções eleitorais, representantes dos partidos conferiam a lista de quem havia comparecido e convocavam por telefone conhecidos que ainda não haviam votado. A batalha foi intensa nas mídias sociais. A estimativa é que os dois principais partidos tenham gasto 2 milhões de libras (cerca de R$ 11 milhões) em anúncios no Facebook e no Instagram desde o final de novembro. De terça-feira até a manhã desta quinta, a propaganda dos trabalhistas havia sido vista 4,9 milhões de vezes, contra 2,7 milhões dos anúncios conservadores, segundo dados das redes sociais. Primeira a acontecer em dezembro desde 1923, esta foi a terceira eleição britânica em menos de cinco anos –período pelo qual deveria durar a legislatura. O pleito anterior, em 2017, foi convocado para resolver impasse em relação ao brexit, mesmo motivo da votação atual. Apesar do clima desfavorável -temperatura entre 4ºC e 8ºC, chuva e vento- e de o voto não ser obrigatório no Reino Unido, o comparecimento às urnas foi descrito como surpreendente. Filas se formaram em várias seções ao longo da tarde e à noite, e a espera chegava a meia hora em alguma delas. Eram 13 as pessoas que esperavam às 14h na fila de identificação da escola em que votou a a enfermeira aposentada Marilyn Murray, 76. Com dificuldades para caminhar por causa dos efeitos secundários de uma quimioterapia, que lhe tiram o fôlego, Marilyn preferiu percorrer a pé os 300 metros que separam sua casa da escola primária em que votou (pelo sistema britânico, ela poderia ter recorrido ao correio). Como cerca de 60% dos eleitores de seu distrito, Bethnal Green, Marilyn e sua neta, Savanah, 22, votou nos trabalhistas. A maioria dos britânicos com mais de 60 anos, porém, prefere os conservadores, segundo as pesquisas. Em Uxbridge, distrito por que concorre Boris Johnson, a aposentada Diana Luxton, 74, declarou não confiar inteiramente no primeiro-ministro, mas preferir seu partido ao dos opositores. Enquanto os britânicos decidiam o destino da saída da União Europeia, líderes dos outros 27 países que foram o bloco se reuniam em Bruxelas, capital da UE, para um encontro de dois dias. Boris Johnson foi o único chefe de governo a não comparecer à reunião. As principais promessas dos conservadores nesta eleição são apresentar o acordo de divórcio de Boris Johnson até o Natal, para cumprir a promessa de alcançar o brexit até o final de janeiro, destinar mais 20,5 bilhões de libras (cerca de R$ 112 bilhões) ao sistema público de saúde (NHS) nos próximos cinco anos e contratar mais 50 mil enfermeiros e 20 mil policiais na Inglaterra e em Gales. Os conservadores também prometem implantar um sistema de imigração semelhante ao da Austrália, que atribui pontos para quesitos como idade, escolaridade, experiência e profissão. Na prática, isso deve dificultar a entrada de estrangeiros menos qualificados, a não ser para trabalhos sazonais, como nas épocas de colheita. Boris também prometeu não elevar o Imposto de Renda, as constribuições previdenciárias e o imposto sobre consumo. [caption id="attachment_63311" align="aligncenter" width="1600"] Boris Johnson (Foto: reprodução internet)[/caption]

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