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Cientistas criam grupo na USP para empreender

| 28/06/2014 | 19:26

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão buscando inspiração na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, para fomentar o empreendedorismo na academia brasileira e incentivar cientistas a se engajar de forma mais intensa na transformação de suas descobertas científicas em inovações tecnológicas, principalmente na área da saúde.

Para isso, é preciso atravessar o chamado “vale da morte”, uma região escassa de recursos e cheia de incertezas que separa a produção de ciência básica na academia do desenvolvimento de novas tecnologias na indústria. No caso da biomedicina, o caminho inicial que uma descoberta precisa percorrer para sair da bancada do laboratório, na forma de uma publicação científica, e ter uma chance de chegar ao leito do paciente, na forma de uma nova droga ou terapia.

A maioria dos pesquisadores prefere não se aventurar por essas terras selvagens, além dos muros da academia; e aqueles que arriscam uma travessia muitas vezes se perdem no meio do caminho, ou dão de cara com portas fechadas no final. 

“Muitas ideias revolucionárias morrem na academia porque os resultados são preliminares demais para despertar o interesse da indústria”, diz a química Daria Mochly-Rosen, cientista, empresária e criadora do programa Spark na Escola de Medicina de Stanford – que pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e da Escola Politécnica querem replicar na USP, em parceria com a empresa química Dow.

“A academia não pode fazer só pesquisa básica. Quando houver potencial para inovação, precisa avançar um pouco mais, fazer as provas de conceito, para provar para a indústria que aquela descoberta tem potencial comercial”, reforça o jovem professor Julio Ferreira, do ICB, que fez pós-doutorado no laboratório de Daria e voltou de lá determinado a introduzir o modelo Spark no Brasil – rebatizado como Supernova.

O programa funciona como um híbrido de incubadora, agência de fomento e curso de capacitação. A cada ano, cerca de 10 projetos de pesquisa com potencial para gerar novos fármacos e terapias são escolhidos para receber uma ajuda financeira (de US$ 50 mil/ano) e algo que Daria considera muito mais valioso: aconselhamento profissional e gratuito, oferecido por especialistas da indústria que participam de encontros semanais com os pesquisadores. 

As reuniões são a portas fechadas e todos os participantes assinam um acordo de confidencialidade sobre o que é discutido na sala, de forma que os pesquisadores podem apresentar seus resultados, dúvidas e apostas livremente, sem temer pela segurança da propriedade intelectual de seus dados.

Segundo Daria, os conselheiros são o “ingrediente secreto” da receita de sucesso do programa. Nenhum deles é pago. São empreendedores experientes, que participam das reuniões pelo prazer de compartilhar seu expertise, diz. 


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