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Com atraso, Alckmin entrega obra contra seca no Cantareira

DA FOLHAPRESS - redacao@jj.com.br | 02/03/2018 | 18:42

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), inaugura na manhã deste sábado a obra de interligação entre o rio Paraíba do Sul e uma das represas do sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo. Alckmin é pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto e, de acordo com a legislação eleitoral, tem até a primeira semana de abril para deixar o cargo no governo do estado para concorrer na eleição deste ano. Por isso, o governador tenta emplacar uma agenda positiva em seus últimos dias no governo paulista. A interligação entre o rio Paraíba do Sul e Cantareira chegou a ser prometida pelo tucano para abril de 2017, ao custo de R$ 555 milhões financiados pelo BNDES. A ideia é permitir por meio de bombas, túneis e adutoras que um manancial de água pudesse ajudar a abastecer o outro em épocas de forte seca, como ocorreu a partir de 2014 no sistema Cantareira.

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Por meio de adutoras de 13 km de extensão, a água que sair do Paraíba do Sul será bombeada até uma estação a mais de 200 metros de altura. Depois disso, a água cairá por um túnel até a represa de Atibainha, no Cantareira. A ideia é de que o conjunto de adutoras e túneis sejam capazes de bombear a água no sentido contrário também, do Cantareira para o Paraíba do Sul, quando a emergência hídrica ocorrer no lado deste rio. Questionada, porém, a Sabesp (companhia paulista de saneamento) não respondeu se a transferência de água para o lado do Paraíba do Sul já está pronta.

CONFLITO
A interligação das duas bacias causou conflito entre três estados do Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Embora as obras ocorram todas em território paulista, a água transferida pertence a um rio federal e que abastece também o Rio de Janeiro e Minas. Um acordo entre os três estados teve que ser costurado com a ajuda da Agência nacional de Águas e o STF. O uso do rio Paraíba do Sul provocou uma disputa judicial, troca de acusações entre os governo de Rio e São Paulo, e chegou ao Supremo em meio a grave crise hídrica que atingiu os três estados em 2014. O Ministério Público Federal protocolou uma ação contra a transposição e para assegurar vazão mínima ao Rio. O Ministério Público alegava que a transposição proposta por São Paulo poderia causar danos ambientais, com consequências inclusive para a saúde. No acordo fechado pelo ministro do STF Luiz Fux, o governo federal e a ANA abriram mão da gestão do rio para compartilhar com os estados. Segundo Fux, as normas estabelecidas afastam eventuais prejuízos nos abastecimentos dos estados.


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