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Distúrbios da tireoide atingem 8% da população

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 03/03/2019 | 05:05

O hipotireoidismo é uma doença que ocorre quando a glândula da tireoide não produz os hormônios necessários para o funcionamento correto do organismo. Ela é responsável pela produção da Triiodotironina (T3) e a Tetraiodotironina (T4). Esses dois hormônios servem para controlar o metabolismo do corpo. A disfunção pode acontecer por problemas na tireoide ou na hipófise, que é uma glândula que controla várias outras, inclusive a tireoide. Ela compromete cerca de 8% da população brasileira e pode atingir 20% dos idosos.
A endocrinologista e professora da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Maria Beatriz Sayeg Freire, afirma que a doença possui muitos sintomas. E que a incidência varia de acordo com alguns fatores como idade e sexo do paciente. Dentre eles estão ganho de peso, cansaço, fraqueza, queda de cabelo, pele seca, dificuldade de concentração, constipação intestinal, falta de ar indefinida, voz rouca e falta de apetite. Nas mulheres, que são mais suscetíveis à doença que os homens, ela também pode interferir no ciclo menstrual e na fertilidade.
Os sintomas variam muito de acordo com o paciente. Cada um pode apresentar uma combinação diferente deles. Débora Green, de 42 anos conta que descobriu que tinha hipotireoidismo em 2003 por conta de um exame periódico de emprego. “Estava na empresa há um ano e o médico que realizava o exame viu que eu havia engordado 8kg nesse período. Ele pediu um exame de sangue para ver os níveis de hormônio e me encaminhou para um endocrinologista que diagnosticou o hipotireoidismo.”, relata. No início do tratamento, Débora teve arritmia por conta da dosagem do remédio de reposição hormonal. Hoje, ela acertou a dose e continua com o tratamento.
Segundo Maria Beatriz, além do fator genético e um possível fator congênito, de má formação da glândula no feto, a disfunção tem três grandes causas. A primeira é a deficiência de iodo no organismo, ele é um nutriente fundamental na formação dos hormônios produzidos pela tireoide e, por conta disso, o Brasil possui uma lei que afirma que o sal que as pessoas consomem precisa ser iodado. Os países que não possuem essa lei contam com um índice maior de hipotireoidismo por essa causa. A segunda causa, que é a mais comum, é uma doença autoimune, ou seja, o próprio corpo produz glóbulos de defesa e destrói parte da glândula da tireoide, fazendo com que ela não produza os hormônios corretamente. A terceira causa principal é o tratamento do hipertireoidismo.

Hipertireoidismo
O hipertireoidismo pode ser considerado o contrário do hipotireoidismo. É mais difícil de controlar pois os hormônios são produzidos em maior quantidade que o necessário pelo corpo. Em alguns casos, o médico orienta o paciente com hipertireoidismo a fazer um tratamento com iodo radioativo. Ele serve para destruir parte da tireoide e tentar reverter o caso mas a maioria dos pacientes acaba desenvolvendo o hipotireoidismo.
Natália Silveira Zago, de 36 anos, revela que foi diagnosticada com hipertireoidismo na adolescência e após cinco anos de tratamento com remédios foi orientada a fazer um tratamento com iodo radioativo, em 2003. “Eu tomei o iodo porque tomava remédios para controlar o hipertireoidismo por muito tempo e isso não era bom. A médica orientou que eu fizesse o tratamento radioativo para destruir parte da glândula e, assim, transformar o caso. Em 2004, tive que começar a tomar remédios para repor os hormônios da tiroide e, então, consegui controlar meu metabolismo.”, afirma.
Maria Beatriz afirma que isso é comum pois, os remédios administrados no tratamento dos pacientes com hipotireoidismo são somente uma reposição hormonal. “Eu nem considero que eles sejam um tipo de droga porque o paciente só está repondo algo que já é natural do organismo, que por algum motivo, não está sendo fabricado corretamente”, diz.

HIPOTIROIDISMO  DEBORA GREEN


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