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Doria nega interesse em ter Mandetta no combate à covid-19 em SP

Das agências | 08/04/2020 | 13:26

O governador João Doria (PSDB) negou nesta quarta-feira (8) que tenha o interesse em contar com o ministro Luiz Henrique Mandetta no combate ao coronavírus em São Paulo caso ele deixe o ministério da Saúde.

“O ministro Mandetta é fundamental para o combate ao coronavírus. É fundamental que ele exerça como ministro da saúde. Quero até cumprimentar outros ministros que tomaram a sensata decisão e convenceram o presidente a manter o ministro onde ele está. Não houve nenhum convite do governo de São Paulo ou expectativa porque desejamos que ele cumpra a função que tem desempenhado muito bem”, disse.

Durante a coletiva, o governador pediu a população que não se dirija para as praias do litoral paulista durante o feriado da Semana Santa e Páscoa. “As praias estão interditadas. O isolamento social é de fundamental importância”, declarou.

David Uip cobra Bolsonaro

David Uip, infectologista e chefe do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, comentou nesta quarta-feira (8- em entrevista coletiva a imagem de receita vazada de seu consultório que mostra o emprego de cloroquina no tratamento da covid-19. A foto foi usada para atribuir a ele o uso de cloroquina em seu tratamento da doença.

“Quero falar uma coisa para o senhor presidente. Presidente, eu respeitei seu direito de não revelar o seu diagnóstico. Respeite meu direito de não revelar o meu tratamento”, disse. “Senhor presidente, me respeite. A minha privacidade foi invadida.”

Uip sentiu os primeiros sintomas do coronavírus em 22 de março e no dia seguinte divulgou o resultado positivo de seu teste para a doença. Ele retornou às atividades profissionais na última segunda (06). Os detalhes do tratamento do médico não foram divulgados na ocasião, mesmo depois de perguntas da imprensa.

O tratamento de David Uip virou questão política porque o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um entusiasta do medicamento. Ele defende sua eficácia contra a covid-19 com frequência e cobrou uma posição do coordenador do Centro de Contingência.

Antes da entrevista coletiva, o assunto da receita foi tratado por integrantes do governo de São Paulo. Havia também uma menção ao tema na lista de perguntas enviada pelos jornalistas que acompanham a coletiva de casa. A orientação dos assessores de comunicação foi Uip aproveitar a oportunidade para falar da cloroquina. Mas a receita foi tratada na coletiva logo no começo pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que falou defendendo o infectologista e afirmando que Uip está sendo vítima de ataques disparados a partir do gabinete do ódio. Ele pediu respeitos aos médicos e acrescentou que Uip sugeriu ao Ministério da Saúde a adoção da cloroquina.

Na terça-feira (7), em coletiva de imprensa, David Uip se recusou a falar sobre o tratamento e responder se usou cloroquina alegando ser algo pessoal. “Eu não me prescrevi. Se eu tomei ou não antibiótico ou qual droga para febre e para enjoo é algo pessoal. Como eu respeito meus pacientes, gostaria de ser respeitado. Não faço isso para esconder nada, mas não quero transformar meu caso em modelo para coisa alguma”, disse.

Mais cedo, em entrevista à Rádio Gaúcha, Uip confirmou que o documento vazado é real, mas sem detalhar se usou o medicamento em seu próprio tratamento. “A receita é da minha clínica. Ela é real. Algum lugar vazou de forma incorreta. O que nada me preocupa. Eu não tenho nada contra o uso de cloroquina. Pelo contrário, eu uso nos meus pacientes internados. O que está se fazendo confusão é a respeito do meu tratamento pessoal. O meu tratamento, o que eu deveria fazer do ponto de vista de preocupação eu fiz, nos meus primeiros sintomas eu fiz exame. Eu vim a publico e assim que percebi que estava complicando, eu vim a público, mas divulgar a receita individual de qualquer paciente eu não faço”, declarou.

 


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