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Fevereiro Roxo alerta para o tratamento da fibromialgia

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 24/02/2019 | 05:04

O fevereiro roxo não é tão conhecido pelas pessoas como o outubro rosa ou o novembro azul, mas o mês é símbolo de prevenção de uma doença não muito conhecida e que pode causar muita dor ao paciente se não for tratada: a fibromialgia. Ela atinge 3% da população brasileira, sendo mais comum em mulheres dos 20 aos 50 anos.

A fibromialgia é conhecida como síndrome da dor generalizada por conta do que ela causa: dores por todo o corpo durante mais de três meses, com sensibilidade nas articulações, nos músculos e nos tendões. Além da dor, a doença também pode causar fadiga, distúrbios do sono, dores de cabeça, depressão e ansiedade.

A causa ainda é desconhecida, porém estudos apontam que ela está ligada a estímulos captados e interpretados de uma maneira anômala pelo cérebro. O diagnóstico é feito a partir do exame clínico realizado pelo médico. São pedidos exames de sangue para descartar a possibilidade de outras doenças que podem confundir o diagnóstico. A fibromialgia também pode ser associada a fatores genéticos, doenças autoimunes e infecções por vírus, além de distúrbios de sono e traumas físicos e emocionais.

O médico José Augusto Dias Lopes, reumatologista e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí, mostra os principais sintomas: “Ela não é inflamatória, causa dor generalizada, acometendo membros superiores, inferiores e coluna vertebral. Os pacientes apresentam aumento de sensibilidade à dor, fadiga e distúrbios do sono”.

As dores dos pacientes com fibromialgia podem apresentar várias intensidades. Alessandra Zampa Trovo, de 44 anos, conta como foi diagnosticada: “há uns 15 anos, eu era obesa e sentia muitas dores por todo o corpo. Me consultei com uma médica que pediu para que eu fizesse uma bateria de exames. Todos estavam normais. Foi aí que fui diagnosticada com fibromialgia”, conta. “Faz dois anos que eu faço o tratamento corretamente e não sinto mais as dores. De vez em quando elas voltam, mas nem se compara as que eu sentia.”

TRATAMENTO
A fibromialgia não tem cura. É uma doença crônica que pode estar relacionada a distúrbios psicológicos. Por conta disso, o tratamento tem que ser administrado em conjunto com um médico, um fisioterapeuta, um educador físico e, dependendo do caso, até mesmo um psicólogo. O fisioterapeuta André Portera destaca a importância da fisioterapia para pacientes que possuem a doença.

“Como a fibromialgia causa muitas dores, com a fisioterapia conseguimos gerar nutrientes aos músculos e dar mais movimento às articulações. Movimento é o remédio. O movimento traz alívio as dores e os exercícios ajudam a corrigir a postura.”  Segundo André, o paciente não precisa fazer fisioterapia “casar” com o profissional. “Ele não precisa fazer fisioterapia para o resto da vida, mas precisa fazer algum exercício físico. Algo que acima de tudo seja prazeroso, pois o fator psicológico influencia bastante.”

Entre os exercícios realizados na fisioterapia para alívio das dores estão os movimentos de mobilidade, ou seja, que ajudem a trabalhar e soltar os músculos que ficam mais rígidos. Além disso, exercícios de fortalecimento como agachamento, elevação de membros superiores com cargas leves e muitas repetições para trabalhar os músculos.

A também fisioterapeuta, Amanda Aparecida Magnusson, ressalta outras atividades que ajudam no alívio das dores “O pilates ajuda bastante, os pacientes apresentam uma significativa melhora nas dores”, diz. “Além disso, a hidroterapia, pois o exercício de flutuação em si, associado a água aquecida, promove o relaxamento da musculatura diminuindo a sobrecarga nas articulações”, complementa.

Apesar de ser uma doença que causa muitas dores por todo o corpo, não é difícil de ser tratada pois não faz uso de medicamentos contínuos. No começo, alguns remédios como analgésicos, antidepressivos e relaxantes musculares podem ser administrados, como ressalta o médico José Augusto. Mas o que faz com que as dores passem é a atividade física. Seguindo as orientações, a pessoa consegue levar uma vida normal e sem dores.

FIBROMIALGIA ALESSANDRA ZAMPA TROVO


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