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Governo do Pará transfere presos envolvidos em massacre

FOLHAPRESS | 30/07/2019 | 11:43

Um dia depois do massacre de presos que deixou 57 mortos em Altamira, o governo do Pará iniciou a transferência dos 46 presos supostamente envolvidos na matança.

Os primeiros três presos embarcaram na manhã desta terça-feira (30), rumo a Belém. O processo é lento -cada detento precisa ser acompanhado de um agente penitenciário, e a aeronave, modelo Caravan, é pequena.

Dez presos serão levados a presídios federais fora do Pará. Os demais 36 serão redistribuídos dentro do estado.

Os 57 presos morreram -sendo 16 decapitados- na manhã desta segunda (29) durante uma rebelião registrada no Centro de Recuperação Regional de Altamira, unidade prisional no sudoeste do Pará.

A rebelião foi a maior do ano em número de mortes, superando a de maio, quando uma sequência de ataques nos presídios do Amazonas deixou ao menos 55 mortos.

Segundo o Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), a rebelião começou por volta das 7h, durante o café da manhã.

O motivo do massacre é uma disputa entre duas facções criminosas pelo controle da unidade prisional de Altamira, segundo o governo do Pará.

O Comando Classe A (CCA) é adversário da facção carioca Comando Vermelho (CV), quem vem se expandindo no Norte por meio de alianças regionais e da perda de poder na região do Primeiro Comando da Capital (PCC), alvo do massacre do Ano Novo de 2017 nos presídios de Manaus.

Sempre de acordo com a versão oficial, membros do CCA colocaram fogo na cela de um pavilhão controlado pelo CV. A maioria das 57 mortes ocorreu por asfixia, e outros 16 internos foram decapitados.

“Foi um ato dirigido. Os presos chegaram a fazer dois agentes reféns, mas logo foram libertados, porque o objetivo era mostrar que se tratava de um acerto de contas entre as duas facções, e não um protesto ou rebelião dirigido ao sistema prisional”, afirmou o superintendente do Susipe, Jarbas Vasconcelos, em nota à imprensa.

PÉSSIMAS CONDIÇÕES

Relatório do CNJ mostrou que a unidade tem condições classificadas como “péssimas”. Além de superlotada -343 cumpriam pena no local, mais que o dobro da sua capacidade, de 163 vagas-, inspeção do conselho detectou que “o quantitativo de agentes é reduzido frente ao número de internos custodiados”.

O CNJ também constatou que a penitenciária não tem bloqueador de celulares, enfermaria, biblioteca, oficinas de trabalho ou salas de aula.

O Pará, quarto estado mais violento do país, vem registrando o avanço das milícias, fenômeno que só encontra paralelo no Rio.
Reportagem recente da Folha de S.Paulo mostrou que em nenhum outro estado brasileiro organizações criminosas comandadas por policiais e ex-policiais estão tão organizadas, estruturadas e dominam áreas tão vastas.

Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do estado, os milicianos dominam o transporte alternativo em várias regiões, a venda de gás em diferentes favelas, a oferta de serviços de TV a cabo, a venda e transporte de produtos contrabandeados e serviços de segurança. Além disso, controlam parcela considerável do tráfico de drogas local, rivalizando com as facções criminosas.

(Foto: reprodução Folhapress)


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