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Indicador da América Latina é menor que o mundial

| 14/05/2014 | 15:03

O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina é menor na comparação com o resto do mundo e mantém-se em uma zona desfavorável comparativamente aos outros continentes. A constatação está no indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE), elaborado em parceria pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e o instituto alemão Ifo, tendo como fonte de dados a Ifo World Economic Survey (WES).

Enquanto o indicador, divulgado nesta quarta-feira (14) pela FGV, aponta uma taxa de crescimento projetada para o mundo de 2,5% em 2014, para a América Latina esta projeção é 2,3%. Na avaliação dos técnicos que elaboraram o estudo, o pior desempenho refere-se à taxa de inflação esperada para a América Latina para este ano que é 10,8%, enquanto que a taxa projetada para o mundo é apenas 3,2%. Na América Latina, a Venezuela (55,6%) e Argentina (36,2%) lideram o ranking das maiores taxas de inflação, seguidos do Uruguai (8,4%), da  Bolívia (6,7%) e do Brasil (6,4%). 

Os dados do estudo indicam, por outro lado, que os resultados continuam favoráveis nos Estados Unidos e na União Europeia e pioram nos mercados emergentes da Ásia. De uma maneira geral,  o ICE mundial ficou relativamente estável ao cair de 114 para 113 pontos entre as sondagens de janeiro e abril.

O levantamento constatou melhora do ICE na União Europeia e nos Estados Unidos, onde as projeções apontam para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% e de 2,6%, respectivamente, para as taxas de inflação as projeções apontam taxas relativamente baixas: 1,4% para UE e 1,9% para os EUA. Para estas regiões, o desemprego continua sendo apontado como o principal problema.

A sondagem de abril trouxe um cenário relativamente “otimista” para o mundo, com continuidade de recuperação nas economias desenvolvidas do Ocidente, mas ainda com incertezas associadas ao desempenho das economias emergentes da América Latina e também da Ásia.

São essas incertezas que levam a uma ligeira piora no ICE mundial, associada principalmente ao desempenho dos principais países asiáticos – China e Japão. Na China o ICE recuou 18% e no Japão 15%, o que coloca ambos na zona desfavorável. Nesses países o ICE tem caído sistematicamente desde outubro de 2013.

A sondagem aponta a desaceleração do crescimento da China e, principalmente, o redirecionamento de um modelo pautado no investimento intensivo em infraestrutura baseado no estímulo ao consumo doméstico como fator determinante envolvendo o desenvolvimento econômico dos países da América Latina: “o exportadores de commodities sul-americanas – Brasil, Chile, Colômbia e Peru – são os principais perdedores com esta mudança.

Assim como o número de problemas citados para esses países explicam a avaliação dos especialistas medida pelo ICE, as projeções para a taxa de crescimento econômico do PIB ( a soma de todas as riquezas produzidas) para 2014 também refletem essa avaliação no continente.

As menores taxas de crescimento são estimadas para a Venezuela (onde o PIB deverá cair 1,3%), a Argentina (+0,1%) e o Brasil (+1,7%); e as maiores taxas para Bolívia (6,0%), Peru (5,1%), Paraguai (4,9%) e Colômbia (4,4%).

Quando avalia o grupo de países do Brics, (grupo composto por Brasil, Rússia, China e África do Sul), o estudo indica que apenas a Índia registrou melhora no clima econômico e manteve-se na zona de avaliação favorável. Após melhorar entre outubro de 2013 e janeiro de 2014, o ICE da Rússia piorou neste último estudo ficando em – 24%, piora  que ocorre num período de acirramento das tensões políticas na região. Após a Rússia, o Brasil apresenta o mais baixo ICE entre o Brics.

Enquanto na China apenas a falta de mão de obra qualificada é citada como um problema muito importante para o crescimento econômico, nos outros países a lista é extensa e inclui desde a “falta de confiança nas políticas do governo”, no caso do Brics: passando por desemprego (Índia e África do Sul) e falta de competitividade (Brics); até inflação e déficit público, nos casos do  Brasil e Índia.  O estudo indica que à exceção da China, outros países do Brics teriam como agenda futura comum “a melhora da competitividade e promoção de instituições associadas à garantia de confiança nos governos”.


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