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Indicadores econômicos são apenas especulativos

Márcia Mazzei | 05/06/2020 | 10:30

O dólar comercial opera em queda e a Bolsa sobe mais uma vez nesta quinta-feira (4). A moeda norte-americana recua 3,08% ficando a R$ 5,05 para a venda, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avança 2,49%, a 93.309,57 pontos. Nesta quinta-feira o dólar fechou em queda de 3,23%, a R$ 5,09 na venda e o Ibovespa quase chegou a 93.929.391 pontos.

Esta mudança de números e valores pode resultar em um certo otimismo dos investidores para uma recuperação econômica global, mas para o empresariado de Jundiaí, o bom comportamento destes indicadores econômicos é apenas consequência da flexibilização da quarentena que aconteceu antes do previsto, segundo defende o diretor de Comércio Exterior do Ciesp Jundiaí, Marcio Ribeiro. “Esta queda do dólar e a valorização do real, inclusive no comparativo a todas as outras moedas, não podem ser encaradas como a recuperação da economia. Este será um ano difícil”, prevê.

A recuperação da economia depende do resultado do desempenho da atividade empresarial em abril e maio e o nível de desemprego. “Neste momento estamos vivendo um período pós-guerra, com previsão de queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 3% a 5%, isso sem considerar os postos de trabalho fechados e a produção industrial durante o período de quarentena”, diz.

Apesar da queda expressiva do dólar, que já perdeu muito terreno desde que ficou a poucos centavos de superar R$ 6 no mês passado, o diretor não ignora a possibilidade de volatilidade diante das tensões políticas no Brasil entre o Executivo e o Judiciário. “Aliás, este é um momento em que precisamos voltar os olhos para aqueles que governam para o bem-estar de toda a nação. Hoje, o que vemos é um choque de decisões entre as três instâncias. Uma recuperação definitiva é incerta, depende do mercado, do cenário político e até da curva da novo coronavírus”, diz Ribeiro.

EM EXPANSÃO

Assim como Marcio Ribeiro, do Ciesp, Luciano Gimenez, CEO da Quality Logística, acredita que este frenesi dos investidores frente aos indicadores econômicos não passa de especulação. “É preciso ter cautela. Esta quarentena deixa uma herança que ainda não conseguimos mensurar, mas é sabido que as empresas que se prepararam vão sobreviver, por exemplo”.

Na contramão, sua empresa não só se garantiu, como cresceu 10%, enquanto parte da economia permanecia estagnada. Faço parte de um nicho considerado essencial, do qual dependia o abastecimento de outros segmentos. Muita gente passou a trabalhar em casa (home office), aumentando o consumo de alimentos, outro setor que aumentou a produção”, explica.

Olhando para o horizonte, Gimenez acredita na retomada da economia, apesar do índice de desemprego. “Ao contrário do que muitos defendem, o potencial econômico de um país depende da abertura de postos de trabalho”.
Nesta curva de recuperação da economia, ele aposta em alguns setores como autopeças, automotivo e construção civil que, durante a quarentena, acumularam queda na produção.


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