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Jovens também sofrem com a má-postura

MARIANA CHECONI | 10/03/2019 | 05:00

“Me senti uma pessoa anormal”. Essa foi a reação de André Borges, estudante de 20 anos, ao olhar o raio-x tirado de sua coluna. A imagem, que praticamente formava um “S”, mostrava 75 graus de curvatura. O diagnóstico foi de escoliose.
Hoje, após passar por uma cirurgia de correção da coluna, o jovem tem algumas restrições, pois tem a espinhal calcificada. “Minha coluna virou um bloco de ossos, não tenho mais vértebras no local, ou seja, não tenho mais movimento cervical. Só sobraram duas vértebras na região do cóccix, que sustenta todo o meu peso”, relata. Ele não pode fazer atividades comuns como pular, correr ou colocar as mãos nos pés. Apesar disso, vive uma vida normal depois da operação.
A história do estudante é mais um caso de problemas posturais nos jovens. Os mais comuns são escoliose, que é o curvamento lateral da coluna, lordose, quando a curvatura é para dentro da caixa toráxica e cifose, que é a corcunda, ou seja, o curvamento da coluna para fora.
O fisioterapeuta André Portera afirma que esses problemas podem ser congênitos, causados por má-formação na coluna do feto, problemas neurológicos, má-postura nas atividades do dia a dia e falta de movimento do corpo, quando a pessoa fica muito tempo parada em uma mesma posição. Também é observado nos pacientes com histórico familiar, pois os casos são mais comuns quando alguém na família apresenta esses problemas.

MÁ-POSTURA
André afirma que a maior incidência dos problemas em jovens acontece pelo uso dos aparelhos eletrônicos cada vez mais cedo, inserindo as crianças no mundo da tecnologia. “Nos dias atuais, recebo muitas queixas de dores na cervical por conta do uso dos celulares. As pessoas passam muito tempo olhando para baixo, para a tela dos aparelhos eletrônicos e isso acaba jogando o pescoço cada vez mais para baixo, causando sobrepeso na coluna”, diz.
Este é o caso do jovem Rafael Bueno Flosi, 21 anos. Ele conta que tem escoliose e cifose desde 2017 por conta da má-postura. Ele mesmo percebeu que algo não estava certo, pois andava muito torto e isso o incomodava. Por conta disso, fez RPG (reeducação postural global) por um ano e meio e, após o tratamento, convive bem com as disfunções. “Não tive dores, fui atrás do tratamento pela estética, não gostava de andar com a coluna torta. Hoje vejo que a correção da postura me ajudou muito até para não gerar mais problemas futuramente”, afirma.

DORES
Borges e Rafael não sentiram nenhum desconforto, pois a escoliose geralmente não causa dores. A maioria dos casos acontece em jovens que estão na fase do estirão, crescimento dos adolescentes na puberdade. O corpo tende a se adaptar ao curvamento errado. Entretanto, mesmo após essa fase, algumas pessoas sentem dores fortes e persistentes. A estudante Maria Eduarda Pinheiro, de 19 anos, conta que, antes do diagnóstico, não não conseguia ficar muito tempo em pé. “Sentia dores muito fortes, não conseguia ficar 10 minutos em pé no transporte público. Algumas vezes cheguei a ter tonturas”, lembra. A estudante foi orientada por um ortopedista a fazer RPG e musculação durante seis meses. “Após esse período, recebi algumas orientações que sigo até hoje, como dormir de bruços com um travesseiro embaixo da barriga e sempre abaixar com a coluna reta. Às vezes, quando não sigo as recomendações, sinto dores, mas não como naquela época”, afirma.
Para o fisioterapeuta, além do RPG, os problemas posturais podem ser tratados com fisioterapia, pilates e exercícios em geral, que fortalecem e corrigem a postura. “Quando o caso não for congênito ou neurológico, as pessoas podem prestar atenção na postura. Ao sentar ou deitar, é importante não deixar a coluna torta. Além disso, tomar cuidado no uso de aparelhos eletrônicos e com o peso das mochilas. Ainda mais importante é fazer exercícios físicos para estimular os músculos e evitar que eles causem problemas posturais”, recomenda.

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