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Perdas por paralisação custam R$ 41 bi ao PIB dos EUA


A paralisação mais extensa da história do governo americano custou US$ 11 bilhões (R$ 41 bilhões) ao PIB (Produto Interno Bruto) do país, sendo US$ 8 bilhões, ou 0,2%, no primeiro trimestre de 2019, divulgou nesta segunda-feira (20), em relatório, a comissão orçamentária do Congresso. O valor é quase o dobro do que o presidente Donald Trump queria para construir o muro na fronteira com o México, gerando o impasse que levou à paralisação. A análise reflete perdas provocadas por falta de trabalho dos funcionários federais, queda nos gastos do governo e redução da demanda devido ao apagão de 35 dias. O governo só foi reaberto na noite da última sexta (25), após Trump aceitar assinar uma lei que prevê o financiamento da administração por três semanas, até 15 de fevereiro, mas sem recursos para o muro. Enquanto isso, democratas e republicanos continuam tentando conciliar posições sobre o dinheiro necessário para a obra. O relatório da comissão orçamentária do Congresso (CBO, na sigla em inglês) estima que o maior impacto da paralisação será sentido nos primeiros três meses de 2019, com uma perda calculada de US$ 8 bilhões, ou 0,2 ponto percentual do PIB. No último trimestre de 2018, a redução prevista foi de US$ 3 bilhões no PIB real, ou 0,1%. A CBO indica ainda que, embora a maior parte do dano seja revertida com a reabertura do governo e conforme os trabalhadores retornam a suas funções, US$ 3 bilhões de perda da atividade econômica são permanentes. Segundo o relatório, algumas empresas do setor privado nunca vão recuperar a renda perdida. Outros negócios decidiram adiar investimentos e contratações em decorrência do impasse. A análise da CBO deixa de fora alguns impactos indiretos da paralisação, como a suspensão em permissões emitidas pelo governo ou o efeito sobre os empréstimos. Nos trimestres seguintes, diz a CBO, o PIB vai ser temporariamente maior do que seria caso não tivesse ocorrido a paralisação. No segundo trimestre, por exemplo, o crescimento real do PIB será impulsionado em 0,1 ponto percentual, com o fluxo de gastos federais. A comissão prevê desaceleração da economia americana, com expansão de 2,3%, ante a estimativa de crescimento de 3,1% em 2018. Até 2023, a média de crescimento deve ser de 1,7%, abaixo do potencial estimado pela CBO para a economia americana -1,8%. Enquanto isso, embora o governo tenha reaberto, as chances de uma nova paralisação após 15 de fevereiro não são pequenas. No discurso em que anunciou o pacto com os democratas, Trump já havia sinalizado que, se ambos não pactuassem um acordo "justo", a administração voltaria a fechar -ou ele poderia declarar emergência nacional, opção que potencialmente seria questionada na Justiça. Neste domingo, o republicano afirmou que as chances de conseguir um acordo com os democratas eram inferiores a 50%. "Eu pessoalmente acho que é menos que 50-50, mas você tem muita gente boa naquela mesa", afirmou ao The Wall Street Journal, em referência aos negociadores. Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América EUA entre 2016 e 2020

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