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Ressaca ocasiona problemas de fígado e insônia

SIMONE DE OLIVEIRA | 30/12/2018 | 10:01

Festas são sempre sinônimo de muita comida e bebida, mas nem sempre esta combinação acaba bem no dia seguinte, em especial quando há exagero no consumo de álcool. A conhecida ressaca é, sem sombra de dúvidas, a pior lembrança deste exagero, por isso especialistas alertam para o perigo de ingerir bebida sem o devido cuidado.

Sintomas como dor de cabeça, náuseas, vômitos, sede, tontura, indisposição e diarreia são os mais comuns. “Estes fatores acontecem porque o álcool, quando ingerido em excesso, se torna uma substância tóxica para o organismo. Outra razão é que ele provoca uma desidratação intensa”, diz a nutricionista Bianca Vieira.

Conforme explica o clínico geral do Hospital São Vicente de Paulo, Normando Camargo, a ressaca alcoólica é obtida a partir de uma dose que produz um pico de 0,11 a 0,12% de concentração de álcool no sangue, embora isso dependa da massa corpórea, sexo, tempo para o consumo da bebida e tempo após a última refeição.

Quanto à fisiopatologia da ressaca, existe um componente de desidratação, causado por efeito agudo do etanol sobre mecanismos de balanço hídrico no organismo. O principal metabólito do álcool etílico, o acetaldeído, também inibe a secreção de ADH, ou seja, do hormônio diurético. “Sintomas como diarreia, azia, queimação no estômago, dor de cabeça, dificuldade para respirar, visão e audição alteradas, alteração na capacidade de raciocínio, falta de atenção, além da alteração na percepção e na coordenação motora, perda de reflexos e perda de julgamento da realidade são os mais comuns quando a pessoa sentem os efeitos”, adianta o clínico.

Ele enfatiza que a ressaca está diretamente relacionada ao volume de álcool ingerido, mas as pessoas podem ter maior ou menor sensibilidade ao álcool, muitas vezes entrando no estado de embriaguez com pouca quantidade. “Quando se está bem alimentado e hidratado os efeitos colaterais da ressaca tendem a diminuir. É uma maneira de amenizar efeitos colaterais do consumo de álcool, porém o volume ingerido sempre será o grande X da questão.”

Além de mecanismos inflamatórios, Camargo explica que o consumo de etanol também interfere nos mecanismos de estresse oxidativo, ou seja, alterações supressoras nas concentrações de aldosterona e renina, uma vez que os níveis adequados destes hormônios regulam a absorção de água e nutrientes nos rins. “Evidências existem sugerindo que após várias horas do consumo de etanol excessivo, ocorrem mecanismos que favorecem a retenção de líquido e os rins sobrecarregam.”

CUIDADOS

A nutricionista Bianca Vieira lembra que não se deve ingerir bebidas alcoólicas de estômago vazio. O importante é intercalar um copo de bebida com um de água para ajudar na hidratação, além de manter uma alimentação saudável e equilibrada no período das festas de fim de ano. “É bom dar preferência a alimentos com maior quantidade de água, como melancia, melão, abacaxi”, recomenda.

Camargo também indica o consumo de água para quem pretende consumir bebidas alcoólicas neste fim de ano e durante o verão: intercale entre cada dose de álcool. A alimentação também faz diferença, e o médico vai mais além. “É claro que uma dica importante é que a pessoa ao consumir bebida alcoólica não realize nenhuma atividade que possa colocar a integridade de qualquer pessoa em risco, como por exemplo, dirigir”, comenta o clínico.

 

Dicas para amenizar os efeitos da ressaca

 

Quando há exagero na bebida o sistema nervoso é afetado, por isso a dor de cabeça aparece, diz o clínico geral do Hospital Sírio-Libanês, Salim Helito. “Cada bebida alcoólica tem um processo de fermentação e utiliza substâncias diferentes. Ao beber diversos tipos de bebidas acontece a mistura desse tipo de substância”, afirma Helito.

Alimentos integrais: O álcool é corrosivo para a mucosa do estômago, por isso esse órgão precisa de uma atenção extra. Arroz e pão integrais ajudam a proteger o estômago. Então, é ideal que sejam consumidos com frequência. Esses alimentos também ajudam a acelerar a recuperação depois que a pessoa bebeu, diz o especialista em alimentos funcionais Sidney Federmann, especialista em alimentos funcionais;

Invista em hidratação: a A água é sua melhor amiga no combate à ressaca. As moléculas de água formam complexos chamados de azeotropos com o álcool, que resulta num efeito como se as moléculas de álcool fossem sequestradas”, diz o clinico Alex Botsaris;

Saco vazio não para em pé: o que mais ajuda antes do primeiro gole é comer, em especial uma comida rica em amido e vegetais”, diz Botsaris.

Outra dica vem do gastrocirurgião e endoscopista Eduardo Grecco. Para minimizar o “estrago”, o gastrocirurgião orienta que, durante as festas, os bebedores tomem água após urinar e só depois voltem a ingerir bebidas alcoólicas.

O clínico Normando Camargo diz que a mistura não faz tanto estrago quanto a quantidade de álcool ingerida (Foto: Rui Carlos)

O clínico Normando Camargo diz que a mistura não faz tanto estrago quanto a quantidade de álcool ingerida (Foto: Rui Carlos)

 

 

 

 

 

 


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