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Rodoviários não garantem retorno de 70% do efetivo

| 14/05/2014 | 08:10

Os rodoviários do município do Rio de Janeiro disseram que não têm como garantir 70% dos trabalhadores em atividade, como exigiu nesta terça-feira (13) o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Eles adiantaram que a paralisação só terminará a partir dos primeiros minutos da próxima quinta-feira (15).

Durante entrevista coletiva concedida na tarde de terça-feira, na sede da Central Sindical e Popular (CSP – Conlutas), o comando de greve explicou que não tem como convencer nem mesmo 30% dos empregados das empresas de ônibus a voltarem na quarta-feira (14), conforme prevê a lei que trata da prestação de serviços essenciais em caso de greve.

O motorista Hélio Alfredo Teodoro, uma das principais lideranças dos trabalhadores, calcula que 80% dos rodoviários do município estejam paralisados. Ele afirma que os rumos do movimento serão definidos em nova assembleia da categoria, marcada para as 16h de quinta-feira, na praça da Igreja da Candelária, no centro do Rio.

“Como eu vou conseguir chamar o pessoal agora para fazer outra assembleia? Na quinta-feira, a classe volta a trabalhar normalmente. Depois haverá nova assembleia. Até lá, esperamos que alguém venha negociar. Nós estamos abertos à negociação, a aceitar propostas. O sindicato [das empresas] não quer negociar, mas nós queremos. Espero que a prefeitura intervenha a favor nosso, que intime o sindicato a sentar e negociar”, disse Hélio.

Os grevistas reivindicam 40% de aumento sobre o salário-base de R$ 1.779, no caso dos motoristas, e R$ 982 para cobradores, além de um tíquete-alimentação de R$ 400, contra os atuais R$ 140. Além disso, querem o fim da dupla função, o que na prática significa que muitos rodoviários dirigem enquanto recebem dinheiro e passam o troco.A advogada da Conlutas, Isabela Blanco, que está dando assistência aos grevistas, ressaltou que a liminar concedida pelo TRT diz respeito ao Sindicato Municipal dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Município do Rio (Sintraturb) e não ao comando de greve da categoria.

A cobradora Maura Lúcia Gonçalves, integrante da comissão de greve, disse que a situação da categoria é dramática, com excesso de trabalho e registro de diversos casos de doença. “Somos contra a dupla função, porque coloca em risco o motorista e o passageiro. O motorista tem que dar troco e ainda olhar para trás, para ver que tipo de gratuidade é, a fim de liberar a roleta. A categoria está muito revoltada. Já chegou ao limite. Estão sugando o nosso sangue. As condições de trabalho são péssimas”, criticou Maura Lúcia. Segundo ela, a greve atingiu 44 empresas e cerca de 30 mil trabalhadores.

A Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) estimou, em nota, que 888,5 mil trabalhadores do setor do comércio tenham sido afetados pela paralisação dos ônibus. O contingente corresponde a 44% dos cerca de dois milhões de passageiros que sofreram consequências da interrupção da circulação dos coletivos, segundo a federação. “A Fecomércio RJ espera que a situação seja regularizada o mais breve possível para que o atendimento nos estabelecimentos do setor seja normalizado de forma que todos possam usufruir das oportunidades oriundas, nas próximas semanas, com a Copa do Mundo”, disse a entidade.


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