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Suspeita de interferência segue e PF agenda mais depoimentos

ANGELO AUGUSTO SANTI | 17/05/2020 | 11:00

A Polícia Federal (PF) agendou para esta semana mais quatro depoimentos de delegados no inquérito sobre as acusações do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, de que o presidente Jair Bolsonaro tentava interferir politicamente na instituição. O primeiro depoimento será do delegado Claudio Ferreira Gomes, diretor de inteligência da Polícia Federal, na terça-feira (19), às 15h.

Na quarta-feira (20), serão ouvidos o superintendente da PF em Minas Gerais, Cairo Costa Duarte, Rodrigo Morais, delegado que comandou as investigações sobre o atentado sofrido pelo então candidato Jair Bolsonaro, e o recém-nomeado diretor-executivo da PF, Carlos Henrique Oliveira, que prestou depoimento na quarta (13), mas pediu para ser ouvido novamente.

Na última quinta-feira (14), Bolsonaro respondeu a perguntas de jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada usando uma máscara facial com o logo da Polícia Federal, e brincou. “Gostaram da máscara da Polícia Federal? A PF agora é do Brasil, hein? Como sempre, a PF foi independente, vai continuar independente, e vai continuar nos orgulhando do seu trabalho.”

Algumas das informações colhidas até agora no inquérito confirmam a narrativa do ex-ministro Sergio Moro, sobretudo em relação à alteração que Bolsonaro quis fazer no Rio de Janeiro. Oito depoimentos prestados também confirmaram a versão de Moro de que o presidente, desde agosto do ano passado, queria trocar o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. E sete acrescentaram o desejo dele de mexer no comando da Superintendência do Rio.

Entretanto, de acordo com investigadores, as informações obtidas não são suficientes para que os atos de Bolsonaro se caracterizarem como crime. O inquérito, por ora, ainda não avançou sobre quais eram possíveis interesses de Bolsonaro em investigações da PF.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ontem (16) que Jair Bolsonaro seja comunicado de que um grupo de advogados apresentou uma ação à Corte com o objetivo de obrigar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a analisar um pedido de impeachment.

Em sua decisão, Celso permite que Bolsonaro, se quiser, faça a contestação da ação. Esse grupo de advogados recorreu ao STF a fim de obrigar Maia a analisar a denúncia por crime de responsabilidade. Pela Constituição, cabe à Câmara autorizar o procedimento para verificar se houve crime do presidente.

Bolsonaro pode pegar até 19 anos de prisão caso seja denunciado pela Advocacia Geral da União e condenado pelo STF. A investigação é focada em seis possíveis crimes: falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada.

Palácio da Alvorada


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