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'A História da Minha Esposa' chega à Mostra de SP após estreia no Festival de Cannes


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'A História da Minha Esposa' chega à Mostra de SP após estreia no Festival de Cannes
Crédito: DIVULGAÇÃO

Partiu de uma das quatro únicas diretoras mulheres o filme que deu mais destaque ao ponto de vista masculino entre os que competiram no Festival de Cannes deste ano –"A História da Minha Esposa", da húngara Ildikó Enyedi, que também está na Mostra de Cinema de São Paulo.

Baseado no romance de mesmo nome de seu compatriota Milán Füst, o longa acompanha as desventuras do casamento do capitão de navio Jakob Störr, interpretado pelo holandês Gijs Naber, com Lizzy, papel da francesa Léa Seydoux.

Pragmático e cartesiano, Jakob encontra um conhecido durante uma licença em terra e cede ao desafio de se casar com a primeira mulher que encontrasse.
É Lizzy que ele vê no salão de chá em que está. A promessa é cumprida e o empurra para uma relação incerta e desconcertante.

Ao privilegiar o ponto de vista masculino, seu objetivo era permitir ao espectador se perder junto com o personagem, disse a diretora em julho numa entrevista em Cannes. Mas o contraste dessa escolha com a valorização crescente da representação feminina deu ao filme uma recepção pouco entusiasmada no festival. A opção por uma adaptação literária tradicional também não ajudou.

"Foi como entrar numa festa descolada com um vestido comum. Em vez de perguntarem sobre a escolha, os outros convivas simplesmente a consideraram inadequada", disse a diretora, atribuindo a reação a "um mal-entendido".

Füst, que era judeu, escreveu o livro durante a Segunda Guerra Mundial em Budapeste, quando sua própria vida estava em perigo, conta a diretora.

"Sua essência não é a história de amor. É como viver nossa vida tão frágil, em que há riscos e podemos nos machucar. O que suas mais de 400 páginas dizem é que tentar ter controle de tudo é um erro."

Segundo Enyedi, o que ela tentou mostrar "da forma mais sutil possível" é a descoberta pelo capitão de que suas habilidades tão masculinas são inúteis para resolver os problemas que a mulher lhe traz.
"Vejo isso como uma despedida muito gentil e terna do patriarcado. Estou tentando entender tantos homens como Jakob, que só receberam esse conjunto de habilidades."

A câmera fixa, que se demora em elementos simples –madeira, cordas, aço, correntes–, faz referência justamente à rigidez do capitão, quebrada pela complexidade da luz.

Embora o ponto de vista de Lizzy nunca apareça, é ela quem conduz as mudanças, afirma a diretora. "É como um mestre zen, que não ensina, mas faz aprender. É por causa dela que no final Jakob pode ganhar flexibilidade em sua vida."

A diretora contou que não tinha certeza sobre a adequação de Seydoux ao papel, por a considerar muito exuberante e cheia de energia. Aceitou encontrar a atriz a pedido de seu produtor francês e viu nela a vulnerabilidade necessária para viver Lizzy. "Léa conseguiu dar profundidade a um papel que nunca está no centro da narrativa."

"A História de Minha Esposa" é o primeiro filme rodado em inglês pela húngara, que tem 66 anos e ganhou fama em 2017, ao receber o Urso de Ouro em Berlim por "Corpo e Alma", também indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

É seu nono longa-metragem desde que estreou, em 1989, com "My Twentieth Century", vencedor em Cannes da Câmera de Ouro de melhor primeiro filme.


A HISTÓRIA DA MINHA ESPOSA

Quando Próximas sessões presenciais: Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, terça-feira (26), às 15h30, quinta-feira (28), às 20h30, e sábado (30), às 18h20; Espaço Itaú de Cinema Augusta, terça-feira (2), às 18h20, e quarta-feira (3), às 13h30.

Onde Mostra de São Paulo

Elenco Gijs Naber, Léa Seydoux, Louis Garrel, Sergio Rubini, Jasmine Trinca
Produção Hungria, Alemanha, Itália, França, 2021
Direção Ildikó Enyedi
Link: https://45.mostra.org/filmes/a-historia-da-minha-esposa


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