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‘A Culpa é das Estrelas‘ vale pelo sentimento

| 07/06/2014 | 00:05

“Esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida”. A frase, uma das mais apreciadas pelos adolescentes que leram “A Culpa É das Estrelas”, é a que melhor define a adaptação da obra de John Green para o cinema. O filme, que está em cartaz em todo o Brasil e em salas do Moviecom e Cinépolis, foi feito para ser sentido, de corpo e de alma.

A adaptação do livro homônimo de John Green deve deixar os fãs satisfeitos com a produção cinematográfica, extremamente fiel à obra literária sobre dois adolescentes que se conhecem em um grupo de apoio para jovens com câncer, ou que já sofreram deste mal. O mix de emoções é culpa do casal principal, formado por Hazel Grace (Shailene Woodley) e Augustus (vivido por um ótimo Ansel Elgort).

A adolescente de 16 anos convive há três com um câncer que começou na tireoide e depois atacou seus pulmões. Desenganada pelos médicos, ela sobrevive por causa de um tratamento experimental e da ajuda de um cilindro de oxigênio conectado às suas narinas através de uma cânula.

O garoto, também vítima da doença, mas que já superou o período crítico, se encontram em um grupo de apoio para pessoas com câncer. Surge uma amizade e dela um romance para princesa da Disney não botar defeito. No primeiro momento, pode-se pensar que a história de amor dos dois apenas utiliza a mesma fórmula vista em vários dramas românticos.

Mas, se nas próprias páginas de “A culpa é das Estrelas” John Green supera a tríade popularizada nos livros de Nicholas Sparks e suas versões cinematográficas – amor impossível, doença e morte – tendo a garota, obrigada a amadurecer precocemente, como a narradora sem autopiedade e com muito humor ácido, o longa-metragem também evita uma restrição sentimental.

Nos detalhes – Além da escolha pelo “slow motion” no momento de crise de um dos personagens, por exemplo, os primeiros planos e grandes close ups são recursos utilizados constantemente no filme, com o claro objetivo de levar o público às lágrimas. O resultado não é ruim.

O filme é um prato cheio para Shailene Woodley, que só confirma o seu talento em dar vida a adolescentes com extrema naturalidade, sem cair na mesmice, como já mostrado com a jovem rebelde de “Os descendentes” (2011) ou a garota ingênua e apaixonada de “The spectacular now”.

Mesmo com poucos trabalhos no currículo, seu colega na franquia juvenil “Divergente” (2014), Ansel Elgort, surpreende ao não cair em uma caricatura do confiante e doce Augustus Waters. Esta capacidade demonstrada por grande parte do elenco e equipe técnica para tornar essa história genuína é o principal chamariz do filme, que deve ter o mesmo destino do livro que lhe deu origem, que fez sucesso não só com o seu público-alvo, o juvenil.

Neste caso, seu objetivo é o de emocionar o maior espectro possível de espectadores, sem distinção de gênero, idade ou ser leitor ou não da obra original. Portanto, fica a dica: prepare os seus lencinho


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