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Barítono jundiaiense está em cartaz no Theatro Municipal de São Paulo

ARIADNE GATTOLINI | 23/11/2018 | 11:43

O barítono jundiaiense Vinícius Atique mal acabou de se apresentar com La Bohème, no Teatro Colón, em Buenos Aires, e já emendou a temporada de Turandot, no Theatro Municipal de São Paulo, em cartaz até o próximo domingo (25). Nesta última peça escrita por Giacomo Puccini, finalizada pelo seu aluno, Franco Alfano, mais uma vez, a personagem feminina é protagonista, uma princesa que evita se casar, impondo a todos os seus pretendentes que resolvam três enigmas, com risco de perderem a vida.

Para Vinícius, todas as obras de Puccini tocam na liberdade feminina. “São mulheres fortes, com um quê feminista.” Neste caso, Turandot quer vingar a morte de sua ancestral Lou-Ling que foi violentada e morta por um príncipe estrangeiro. O espetáculo conta com mais de 170 pessoas no palco e tem a direção cênica de André Heller-Lopes. A Orquestra Sinfônica de São Paulo está sob o comando do maestro Roberto Minczuk, que também assina a direção musical do espetáculo. O Coro Lírico tem regência de Mário Zaccaro e o Coral Paulistano da maestrina Naomi Munakata.

Para dar conta de estar sob o palco durante sete a oito meses da temporada, Vinícius afirma que estuda diariamente, inclusive línguas, como o theco, que não domina, além das seis que fala fluentemente. “É uma vida de sacrifícios, muita dieta, muito exercício para a voz” e uma memória infalível que, ele jura, ser sua aliada na hora de decorar papéis que só vai usar meses depois. “Primeiro, penso na música, depois vou encaixando a letra.” À parte dos sacrifícios diários, Vinícius credita à arte sua vocação, ato de fé e persistência, principalmente no Brasil.

“Conseguimos os papéis através de audições ou convites. Quando começamos uma temporada anual, mal temos condições de saber o que virá. É uma carreira que exige também uma grande dose de organização, inclusive financeira.” Seu papel em Turadont é do ministro-chefe Ping, grande conselheiro da princesa, responsável por alinhavar a história, em trechos quase-cômicos. “Ping dá a liga à história e não diria com um tom exageradamente cômico”, afirma Vinícius. Para o ano que vem, o barítono já está trabalhando em uma ópera tcheca, Casa Makropulos, baseada em romance de Karel Capek.

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