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Cantor Luiz Melodia, do Pérola Negra, é homenageado em prêmio

DA REDAÇÃO | 10/08/2018 | 17:00

Ainda é fresca a memória de Luiz Melodia nas palavras da viúva dele, Jane Reis. Só agora, ela diz, começa a cair a ficha de que morreu há um ano, aos 66, o autor de “Vale Quanto Pesa”, que nos anos 1970 renovou a MPB ao juntar blues, soul e o samba do morro de São Carlos, no Estácio, centro carioca. É um misto de saudades e deslumbre o que ela diz sentir ao citar o artista, com quem foi casada por 40 anos e teve um filho, Mahal Reis -Melodia também é pai de Iran, do primeiro relacionamento.

No período de luto, ela se recolheu na casa da mãe, na Bahia, onde foi reconfortada. Há dois meses, no entanto, precisou remexer o acervo que o casal mantinha em um escritório, no Rio de Janeiro. O objetivo era abastecer a 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira, que será entregue na semana que vem e presta homenagem a Melodia. Desse inventário vêm reminiscências como o caderno em que anotou a primeira composição, quando ainda era Luiz Carlos dos Santos, filho da costureira Eurídice e do servidor público e músico Oswaldo Melodia.

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Isso foi anos antes que os poetas tropicalistas Torquato Neto e Waly Salomão, seu amigo, o levassem do morro à zona sul carioca e o apresentassem a Gal Costa, que gravou sua “Pérola Negra”, em 1972. A canção, que viraria apelido, abriu caminho para o primeiro disco, em 1973, com temas como “Farrapo Humano” e “Estácio, Holly Estácio”, a partir do qual foi recebido como uma das vozes mais marcantes da MPB.

No arquivo de Melodia, há ainda ideias gravadas no celular, dezenas de fotos de álbuns familiares e um sem número de letras e poemas inéditos. Um deles é uma parceria do artista com o amigo Jards Macalé, que Jane compartilhou com este repórter. Parte do inventário também começa a chegar ao público neste mês, quando será lançado o DVD “Zerima – 40 anos de Luiz Melodia”, registro de um show há dois anos, em Niterói (RJ).

Foi a derradeira turnê do artista, acometido por um câncer na medula óssea três anos após gravar o último de seus quase 20 álbuns, “Zerima”. Também está sendo finalizado um disco ao vivo em formato não usual -dois violões, cavaquinho e voz- que Melodia apresentou algumas vezes antes da morte, realçando sua capacidade como intérprete. Há mais planos, como um livro reunindo poemas e “um projeto que deixou pronto” para intérpretes, sobre os quais a viúva prefere não falar.

Foto: Divulgação

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