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Com Proac, fotógrafo radicado em Jundiaí leva exposição “Máscaras Impermanentes” ao Complexo Fepasa

ARIADNE GATTOLINI | 24/07/2018 | 05:05

O projeto “máscaras impermanentes” do fotógrafo radicado em Jundiaí, Alessandro Celante, recebeu autorização do Proac para captação de recursos e nova exposição, desta vez no Complexo Fepasa. Para quem conhece o trabalho de Celante, a iniciativa propõe uma linguagem estética única, em que as pessoas vivas são retratadas através de máscaras mortuárias. A temática, que nasceu em 2015, em monografia de pós-graduação do Senac, integrou a XII Bienal Internacional de Artes de Havana, com exposições em diversos espaços multimídias.

Segundo Celante, ele tentou usar a morte como metáfora às perdas perceptivas que o mundo contemporâneo nos impõe e a fotografia como linguagem de interlocução. “Os fotografados se deitam em uma pequena piscina com água e gelo seco, quando seus sentidos são postos à prova e há um ‘boot perceptivo’, em que o tato é comprometido pela temperatura, a audição tamponada pela água, a visão interrompida pelo olhos, paladar e olfato suplantados pela necessidade única de respirar.”

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A retomada aconteceu com a inserção do projeto na Foto Invasão 2018, no Red Bull Station – SP onde o fotógrafo pôde repetir a foto-instalação que foi feita em Havana e a posterior inserção no Proac, quando Celante montará um labirinto com 100 máscaras translúcidas. “Essa nova fase só foi possível graças à constituição de uma equipe e a figura de um produtor, Gustavo Kock, da Tomada Cultural, que cuidou do desenrolar do projeto. Estamos mirando o público da América latina, já com propostas delineadas para México, Argentina, Uruguai, dentre outros”, afirma.

Se perguntado se as máscaras impermanentes ainda suscitam polêmica, Celante ri e lembra que todos os dias é bombardeado pelas mídias sociais. “Hoje mesmo, um rapaz comentou que reencarnação não existe e que a vida é só essa e que Jesus viveu uma única vez.” Esta linha de raciocínio permeia a leitura trágica “aos mortos que ainda vivem e podem ser despertados”. Celante afirma que a morte outrora deixava vestígios e legados por representações do duplo humano, com relicários de imagens. “Hoje, vagamos por avatares impermanentes, que nos vestem superficialmente com uma tênue pele cultural em constante transformação, em busca de um significado.”

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