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Coronavírus: Indústria criativa abalada e produtores esperam socorro

Folhapress | 20/03/2020 | 09:00

Os refletores se apagam em toda parte. As cortinas se fecham. As salas de cinema mergulham no escuro. Por tempo indeterminado, os palcos já não verão cenas de comédia nem de tragédia.

A crise sanitária trazida pelo novo coronavírus acerta em cheio o cerne da cultura – essa prática que, em partes, não se cultiva sem estar junto aos outros e para a qual reunir gente é uma das principais fontes de renda.

Mas agora não dá para ficar junto, sob o risco de promover o crescimento da contaminação. Diante disso, nos últimos dias diversos eventos culturais foram cancelados ou adiados –o Lollapalooza, que foi para dezembro, shows como os do grupo de hip-hop Wu Tang Clan, todas as estreias de cinema desta semana. Sem contar algumas das principais exposições de artes visuais, peças de teatro e lançamentos de livros que estavam previstos para os próximos meses.

O tamanho total do prejuízo ainda vai levar um tempo para ser calculado, mas há números que dão uma ideia da penúria que se anuncia.

O segmento é responsável por 4% do PIB nacional e, segundo o IBGE, emprega cerca de 5 milhões de pessoas, além de ser formado por 300 mil empresas de pequeno e médio porte. O governo de São Paulo estima que, no estado, o impacto possa chegar a R$ 34,5 bilhões.

O Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais listou uma série de medidas concretas que poderiam ser tomadas.
Já que os projetos aprovados em leis de incentivo não poderão cumprir o aprovado – por exemplo, caso resolvam fazer apresentações on-line, seria preciso uma nova instrução normativa que permita lidar com interrupções e prorrogações.

A instituição também pede a liberação de verbas retidas ou a antecipação de valores já comprometidos do Fundo Nacional de Cultura e do Fundo Setorial do Audiovisual. Segundo levantamento do fórum, isso injetaria R$ 1,5 bilhão no mercado cultural. O fórum também sugere a isenção temporária de taxas, impostos e aluguel de espaços públicos, além da abertura de linhas de crédito.

Nesse quesito, o governo de São Paulo acaba de anunciar a criação de uma linha de crédito para empresas de cultura e economia criativa, turismo e comércio. A gestão Doria, do PSDB, estuda um pacote de medidas a ser anunciado em breve, o que pode incluir a ampliação dos valores do ProAC.


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