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Crivella desiste de passar sambódromo da Sapucaí para Witzel

Da Redação | 20/11/2019 | 20:00

A novela do sambódromo do Rio de Janeiro vive mais uma reviravolta. Nesta semana, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) anunciou que desistiu de ceder a gestão da Marquês de Sapucaí ao governador Wilson Witzel (PSC), o que havia sido dado como certo no dia 1º de novembro. Ele tomou essa decisão após orientação da Procuradoria-Geral do Município e a pedido de alguns vereadores, segundo os quais a transferência da administração só poderia ser feita após aval da Câmara Municipal.

“Nós temos R$ 8 milhões para fazer de obras que foram exigência dos bombeiros. Para que o governo do estado passasse esse recurso para nós, como está em regime de recuperação fiscal, o sambódromo teria que ser do estado. Mas para isso eu teria que conversar com os vereadores do Rio de Janeiro, e eles não concordaram. Então ficou difícil para o governador nos ajudar com esses recursos”, afirmou na segunda (18) o prefeito.

O governador fluminense ironizou a decisão publicamente na mesma manhã: “Que bom que o prefeito passou a gostar de Carnaval agora. Agora só falta ele ir lá ao sambódromo e sambar com as escolas e continuar apoiando o Carnaval”, afirmou, acrescentando que vai ajudar nos ensaios técnicos através da lei de incentivo.

Para ele, Crivella “inventou” essa autorização. “Passei quase 20 anos no Judiciário, conheço direito administrativo. Não existe nenhuma obrigatoriedade de passar por uma aprovação dos vereadores para ceder o sambódromo ao estado”, disse há uma semana, quando a prefeitura anunciou que adiaria a transferência.

O pano de fundo dos debates é, de um lado, um prefeito com fama de inimigo do Carnaval por ser evangélico, já que nunca foi a um desfile e extinguiu as verbas das escolas de samba -reputação que Crivella nega. Do outro, um governador que vem se aproximando do mundo do samba já de olho no Palácio do Planalto.

Esse vaivém já dura meses. Witzel havia manifestado o interesse em administrar a Sapucaí em julho, mas no início de outubro o município disse ter descartado a possibilidade. No início de novembro, eles entraram em um acordo, que agora caiu.

Esse acordo, como Crivella citou em sua fala, seria feito da seguinte forma: a cidade cederia o sambódromo por ao menos três anos para o estado que, em troca, iria ressarcir os cerca de R$ 8 milhões que a prefeitura está gastando em obras de segurança exigidas pelo Corpo de Bombeiros.


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