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Dois anos após autobiografia, Rita Lee lança livro de fotos

DA FOLHAPRESS | 13/06/2018 | 01:45

Quase dois anos depois de “Rita Lee – Uma Autobiografia”, a cantora lança um livro de fotos que pode funcionar como um complemento de imagens àquele volume. Não reúne apenas fotografias. Há espaço para alguns textos da autora, que vão de uma pensata feminista a um atraente capítulo sobre seus problemas com a censura. “favoRita” é grande, um “livro de mesa”. Apesar do tamanho, não é completo. A proposta parece seguir uma curadoria afetiva. Algumas fases da carreira têm vasto material. Mas o conteúdo não contempla a vida de Rita de ponta a ponta. De Mutantes, nada.

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Há um predomínio de imagens das performances no palco ou diante das câmeras. “Numa época, aprendi com David Bowie a me esconder atrás da teatralidade de uma personagem bizarra, o que me dava mais segurança para subir ao palco”, diz Rita. Algumas fotos da primeira metade dos anos 1970 realmente transmitem essa influência do glitter de Bowie. “Quando vejo fotos antigas, como as do livro, me imagino como a figura do louco, do tarô, dançando e cantando à beira do abismo. Acho até que fiz bem esse papel.”

O livro traz também ensaios feitos só para o projeto, com fotos de Guilherme Samora. Em um deles, ela recria a capa do álbum “Rita Lee” (1980), também conhecido como “Lança Perfume”, usando a mesma roupa da foto original. O primeiro dos poucos textos do livro, “Jabuti”, fala de mulheres que ela conheceu na infância e na juventude, um time peculiar de vizinhas e tias. Ela acredita que as mulheres dos anos 1950 tinham tanto “fogo na bacorinha” quanto as de hoje, “só que eram mais misteriosas”. “Naquela época, empoderamento era cursar o Normal ou estudar datilografia e taquigrafia para ser secretária. Eu liguei o foda-se e me meti sem pudores no mundinho masculino do rock.”

No capítulo mais denso, chamado “Dossiê Rita Perigosa”, há um relato caudaloso de seus problemas com a censura no regime militar. Inclui letras de músicas censuradas e reproduções de documentos oficiais sobre determinações dos censores em relação às canções. Com esse currículo de “investigada”, Rita diz que não sabe se deve rir ou chorar diante das manifestações pela volta dos militares ao poder.

Em outro trecho, escreve que seu pecado capital sempre foi a preguiça. Aos 70 anos, Rita diz ter um dia a dia de “velhinha fofa”. “Continuo escrevendo o que vem à cabeça. Pinto uns quadrinhos, leio pra caramba, cuido da minha hortinha e de meus bichinhos, converso com minha neta, brinco com meu neto, namoro e componho com Roberto e, quando me sobra tempo, arrumo gavetas e armários.” Mas ela anuncia estar envolvida “com um pessoal bacana de cinema”, num projeto que pode levá-la às telas.


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