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Dumbo estreia hoje mostrando uma nova fase da Disney

FOLHAPRESS | 28/03/2019 | 05:01

Em um determinado momento do novo “Dumbo”, o pequeno elefante de orelhas grandes é levado para um parque temático megalômano que não esconde a intenção de lucrar com a exploração das suas atrações, vivas ou mecânicas.
A alusão à Disney é clara, mas a crítica ao sistema lucrativo da empresa é algo raramente visto em um filme da própria Disney. A estreia acontece hoje em milhares de salas de cinema em todo o país.
“Tenho escrito no meu cartão de visitas: ‘Manchando o nome da Disney desde 1980′”, diverte-se o diretor Tim Burton, lembrando dos altos e baixos que passa com o estúdio do Mickey desde quando era um jovem animador -ele foi demitido por ser sombrio demais.
Burton hoje é um criador venerado pelo estúdio. Foi atrás dele que a Disney correu quando decidiu organizar um plano de refilmar seus desenhos animados em versões carne e osso, começando por “Alice no País das Maravilhas”, em 2010.
Agora, o sujeito responsável por “Os Fantasmas se Divertem” (1988), “Batman” (1989) e “Edward Mãos de Tesoura” (1990) empresta sua visão gótica a “Dumbo”, uma mistura de refilmagem e sequência do clássico de 1941 que estreia nesta quinta-feira (28) no Brasil.
O filme estreia em um novo momento para o estúdio, hoje o mais poderoso de Hollywood. Os seis longas baseados em animações antigas que vieram depois de “Alice” renderam um total de US$ 3,8 bilhões aos cofres da Disney.
“Não penso muito sobre essa moda e me sinto sortudo de ter entrado nela quando ainda era muito cedo. Há uma razão dos filmes da Disney ultrapassarem as barreiras do tempo. Eles são contos de fadas, podem ser contados várias vezes e de maneiras diferentes.”
O longa, contudo, toma alguns desvios radicais ao situar a trama em um mundo mais realista, tendo uma família quebrada como núcleo: Colin Farrell faz um veterano da Primeira Guerra Mundial que retorna sem um braço ao circo comandado por Max Medici (Danny DeVito) e lar dos filhos (Nico Parker e Finley Hobbins), ambos ainda se recuperando da morte da mãe.
Não há animais falantes e boa parte da ação logo se move para o parque ultratecnológico do empresário de Michael Keaton e da trapezista de Eva Green. “Não gosto de circos”, confessa o diretor. “Mas foi um estranho desafio recriar ‘Dumbo’, que ele existe em uma realidade somente dele, como uma fábula. Não queria fazer um filme óbvio, mas algo que as pessoas se surpreendam mesmo que ainda encontrem as mensagens sobre famílias disfuncionais.”
Outra mudança radical diz respeito ao polêmico fim do longa original, criticado por organizações de defesa dos animais por manter o filhote em cativeiro. O roteiro de Ehren Kruger (“O Chamado”) se antecipa aos protestos, adaptando a história a um novo pensamento mais consciente.
“‘Dumbo’ é um desenho animado diferente e que não pode ser repetido. Há coisas de que gosto no original, como a sequência do elefantinho bêbado e tendo alucinações. Mas o mundo de hoje é diferente”, explica Burton sobre a famosa sequência dos elefantes rosas, que foi levemente alterada.
Nada que se compare ao que já sofre o diretor Guy Ritchie com o próximo remake da Disney, “Aladdin”, previsto para maio. A cada novo trailer que mostra Will Smith como o gênio azul que tinha a voz de Robin Williams no desenho de 1992, o projeto é bombardeado por memes nas redes sociais.
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Link original: https://www.jj.com.br/cultura/dumbo-estreia-hoje-mostrando-uma-nova-fase-da-disney/
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