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Em São Paulo, Núcleo Experimental faz adaptação de “1984”, de Orwell

DA REDAÇÃO | 02/06/2018 | 21:03

Quando estreou em Londres há quatro anos, uma adaptação teatral de “1984”, romance distópico do britânico George Orwell, estava embebida no caso do WikiLeaks e seus vazamentos de documentos secretos. Agora, em montagem do Núcleo Experimental de Teatro, que estreou ontem, a história ganha paralelos com casos mais recentes: do fenômeno das fake news ao sistema de crédito social chinês, plano do governo para monitorar e premiar o comportamento de seus cidadãos. O romance de Orwell, publicado em 1949, acompanha a fictícia sociedade de Oceânia, onde o governo ditatorial do Grande Irmão assumiu o poder, criando um sistema de censura e grande vigilância. A repressão é tanta que foi estabelecida a novafala, único idioma cujo vocabulário aos poucos diminui, o que minaria a capacidade de pensamento.

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Funcionário do Ministério da Verdade, Winston Smith trabalha falsificando registros do passado para recriar a história a favor do governo. Descrente, ele escreve seus pensamentos num diário, algo então proibido. É então que ele se apaixona por uma empregada do Departamento de Ficção, e eles elaboram uma rebelião contra o sistema. A adaptação inglesa de Duncan MacMillan e Robert Icke, na qual a montagem brasileira se baseia, alterna o ponto de vista do romance, embaralhando as narrativas de realidade, alucinação e memória.

No palco, quando um grupo lê o diário de Winston, já num futuro 2050, eles surgem como fantasmas, comentando os acontecimentos. É como se tudo fosse um reality show da vida do protagonista – ironicamente, o reality “Big Brother” empresta seu nome do Grande Irmão do romance. “É uma leitura interessante nesse mundo em que as pessoas transformam cada coisa da vida num acontecimento, num feed”, diz o diretor Zé Henrique de Paula. Já nas cenas em que Winston (papel de Rodrigo Caetano) é torturado pelo governo, parte da narrativa reproduz o que se passa em sua mente. “A adaptação joga luz num ponto do romance que tem menos a ver com a distopia. Ela questiona as coisas em que a gente acredita e se hoje é possível crer no que as pessoas dizem”, afirma Zé Henrique. A peça está em cartaz no Sesc Consolação (rua Dr. Vila Nova, 245), de sexta a domingo, até 8 de julho.


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