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Fernanda Takai canta Tom Jobim em novo álbum

DA REDAÇÃO | 02/06/2018 | 21:01

É oficial: após anos de paquera e pegação, Fernanda Takai e a bossa nova estão finalmente namorando. A líder do Pato Fu, nome forte do pop rock nacional dos anos 1990, desfila de mãos dadas com o gênero disseminado por João Gilberto e Tom Jobim (1927-1994) em “O Tom da Takai”, lançado na última sexta-feira (1º). A inspiração são músicas de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nos anos 1950 e 60, os “lados B” do maestro. “Vamos mostrar a genialidade dele desde novinho, não só após se consagrar e tocar com Frank Sinatra”, diz a cantora. São títulos como “Fotografia” (1959), “Outra Vez” (1958) e “Bonita”, escrita por Tom em 1963 após um encontro com a ex-modelo Candice Bergen -a informação é do jornalista Ruy Castro, colunista da Folha de S.Paulo, em seu livro “Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova” (2001).

Fernanda Takai

Mesmo o recorte alternativo de Tom, porém, inclui melodias conhecidas, como a de “Brigas Nunca Mais” (1959), famosa com Elis Regina (1945-1982). Takai é aficionada da bossa nova desde a infância -impactou-a a delicadeza da cantora Sylvia Telles (1934-1966). Ela já havia tateado o gênero em “Onde Brilhem os Olhos Seus” (2007), sobre Nara Leão (1942-1989), e em “Fundamental” (2012), com versões arranjadas por Andy Summers, guitarrista da banda The Police. Mas ressalva: “O disco dedicado à Nara não era de bossa; tinha samba de morro, Robertinho de Recife”.

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E, no trabalho com Summers, diz, foi pouca sua influência sobre as músicas, que já estavam prontas quando ela foi colocar sua voz. Desta vez, Takai participou da concepção estética e acompanhou “cada sessão em que eles gravaram instrumentos”. “Eles” são Roberto Menescal e Marcos Valle. Os veteranos da segunda geração da bossa dividem a produção do disco, cuja ideia surgiu no palco.

Os três se apresentavam juntos em show da turnê que celebrava os 80 anos de Menescal, em 2017, quando o homenageado interrompeu os colegas em “Estrada do Sol” (1957). “Falei no microfone: ‘Para, para um instantinho’. Fernanda até pensou que tinha errado, mas é que eu não podia perder a ideia”, ele lembra. Além de tocarem em todas as músicas, Menescal (violão) e Valle (teclas) dividem vozes com a cantora em temas como “Fotografia” e “Ai Quem me Dera” – segundo ela, um resgate dos duetos do samba-canção e da bossa nova. Sobressaem no trabalho a deferência às raízes e um esforço de atualização. Essa dualidade se mostra, em uma ponta, no rigor formal das gravações e dos arranjos. Na outra, revela-se no contrabaixo elétrico, nas guitarras e nos órgãos, coloridos (como em “Samba Torto”), em oposição à transparência pianística que vigorou dos anos 1950 a 1970.

Além disso, em diversos momentos o canto de Takai é ornamentado aos moldes do pop, como nas dobras (quando há mais de uma voz da mesma pessoa, em intervalos diferentes) em “Bonita” e nos ecos em outras canções. Os veteranos se mostram satisfeitos e não poupam elogios. “A Fernanda ficava no estúdio o tempo todo, perguntando de lá e de cá, e tem uma vozinha tão linda; encaixou perfeitamente”, comenta Valle. “Ela tem toda a condição de dar continuidade ao que a gente fez lá atrás; é um disco que a bossa nova merecia”, acrescenta Menescal. Estarão com a cantora em 16/6, em Belo Horizonte, em show com o qual querem rodar o país a partir de agosto.

Takai também se diz orgulhosa. Após 11 álbuns com o Pato Fu, quatro discos solo, dois livros infantis e dois de contos e crônicas, ela entende ter realizado um desejo antigo que, espera, vai consolidá-la “não apenas como líder de uma banda de rock, mas também como intérprete”. Para consegui-lo, aposta no vocabulário adquirido, como no esforço em adequar o ouvido de fã ao rigor dos registros. “No rock, há no máximo cifras, referências; nesse disco, cantei as melodias como foram escritas nas partituras.”
Em tais balizas, não viu prisão, mas lições: “Em um disco dedicado à obra de um artista, achei importante me colocar a serviço do que ele escreveu”.


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