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Influência celta e pitomba brasileira no jazz de Nelson Ayres

ARIADNE GATTOLINI | 28/07/2018 | 01:25

Um dos mais versáteis pianistas brasileiros, Nelson Ayres está envolvido atualmente em dez projetos, ora regendo a Orquestra Jovem Tom Jobim, ora subindo ao palco com Monica Salmaso ou mesmo no lançamento do CD “Invisible Threads”, no Teatro Polytheama, neste sábado, às 20h30, dentro da programação Astra-Finamax. Antes, às 18h30, ele bate papo com jundiaienses na sala Deolinda Copelli, no próprio teatro. O espetáculo de hoje chegou a convite do saxofonista John Surman, que se uniu ao percussionista norueguês Rob Waring para músicas com estreita influência celta (John nasceu no interior da Inglaterra), mas também com a regravação da linda “Veranico de Maio”, de Ayres, agora rebatizada “Summer Song”, e da brasileira “Pitanga Pitomba”.

Arquiteto da música, afirma, bem-humorado, que consegue se envolver em inúmeros projetos porque eles têm dimensões diferenciadas. “Assim como um profissional que constrói casas, às vezes faço projetos grandes, outros pequenos, de dois dormitórios.” O pianista conheceu John Surman em um trabalho de Marlui Miranda, cantora e compositora brasileira, estudiosa de temas indígenas. “Eu e John nos juntamos ali e aproveitamos para tocar no Jazz Festival de Porto Alegre, em um momento marcante.” Fã do Teatro Polytheama, Ayres gosta de pisar em solo jundiaiense. “O teatro é lindo e o pessoal da Astra-Finamax deve gostar de mim, porque vivem me convidando para tocar”, afirma.

Quando perguntado como dá conta do recado (no dia que o JJ o entrevistou, ia entrar no estúdio ao meio-dia e só sair depois das 20h), Ayres afirma que a inspiração é o prazo. E que mesmo quando na está no piano, ensaiando ou estudando, fica o tempo todo pensando no que irá fazer depois, qual solução irá encontrar para seus arranjos. Esse eclético pianista sempre parece estar se divertindo ao tocar, com sua postura descontraída. “Parece? Pois estou mesmo! Para mim, o grande barato é estar sobre o palco.” Para a regente Vasti Atique, responsável pela programação da Astra-Finamax, Ayres sempre se supera e emociona o público jundiaiense. Ela lembra também que o foco do programa é trazer grandes espetáculos à cidade, a preços populares.

Música brasileira
No dia 12 de agosto, Ayres vai reger a Orquestra Jovem Tom Jobim, no lindo teatro de Ilhabela. “Atualmente, vemos no Brasil um enorme potencial para a música erudita. Tudo começa com o Projeto Guri e, à medida que os jovens vão se aprimorando, vão encontrando espaço para estudar e tocar em conservatórios e universidades estaduais.” Ayres ressalta, entretanto, que quando a excelência chega os músicos brasileiros, assim como ocorreu com o maestro Moacir Santos, um dos maiores expoentes do jazz brasileiro e reconhecido internacionalmente, têm de firmar carreira fora do país. “Quando a excelência chega, afunilam as opções no Brasil.” No concerto de hoje, a generosidade do jazz é marcante. “No popular é que a gente encontra harmonia para improvisar, dar espaço para o parceiro tocar e recriar o que já estava escrito e de repente sentir que virou outra música”, afirma.

Serviço
Os interessados em prestigiar o concerto podem adquirir os ingressos a R$ 10 no Teatro Polytheama ou através do site www.ingressorapido.com.br. O total arrecadado com a venda de ingressos será revertido à Fundação Casa da Cultura, ao Instituto Luiz Braille e ao Coral Infanto-Juvenil Pio X, todos de Jundiaí.

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Link original: https://www.jj.com.br/cultura/influencia-celta-e-pitomba-brasileira-no-jazz-de-nelson-ayres/
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