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Jovem artista plástica leva sua arte de Jundiaí para o mundo

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 11/11/2018 | 09:00

“As pinturas de Ana Goulart ganham dinamismo e movimento na concepção dos elementos e personagens. Sua principal particularidade é a afinidade entre o artista, o modelo, o objeto e o tema preconcebido”. É assim que a curadora Heloiza Azevedo apresenta o trabalho da jovem artista plástica jundiaiense, de 21 anos, no panfleto que acompanha imagens de algumas de suas obras.

O encarte foi entregue a todos que visitaram a Art&Design Gallery Miami em setembro, onde alguns de seus quadros foram expostos naquele mês. “As mulheres e o câncer” foi um deles, que recebeu menção honrosa do público americano. No quadro, uma mulher de roupas escuras e pouco cabelo se encara do espelho, vendo refletida sua versão ‘saudável’, cheia de cabelo e vivacidade. “A pintura foi inspirada em uma amiga que teve a doença”, conta Ana.

A casa da jovem é repleta de grandes painéis de acrílico e pequenos desenhos de nanquim enquadrados. Em comum, todos têm o traço que desliza na tela aparentemente sem direção uniforme, procurando seu próprio caminho para formar a imagem, desconstruindo o que era para ser perfeito ou comum.

Os contornos lembram algumas obras de Van Gogh, mas as cores vivas e alegres do pintor holandês não aparecem nos pigmentos predominantemente azuis, roxos e esverdeados de Ana. Talvez porque Ana não pinte momentos alegres, mas cenários que precisam ser transformados. “Sempre pensei no que poderia fazer pelos outros e, por isso, frequentemente pinto o que não gosto de ver no mundo. A arte cura”, afirma.

Ela conta que suas pinturas a ajudaram a se conectar com o divino. “Na minha vida, o melhor presente foi a arte. É um universo que está dentro de mim sempre fervendo e me sinto mais ligada ao divino porque sinto gratidão”, diz. “Sinto Deus às 3h da madrugada quando acordo com a necessidade de pintar”.

Ana começou a fazer aulas de pintura aos 14 anos por insistência da própria mãe. “Ela viu talento em mim. Sou muito grata, porque geralmente a educação no país tolhe a veia criativa que toda criança tem”, afirma. Ela decidiu que queria fazer disso seu ofício recentemente. “Eu tinha preconceito, na verdade, porque não sabia o que um artista plástico fazia”.

Hoje, Ana estuda na Escola Panamericana de Arte e Design e no Instituto Tomie Ohtake. Mesmo sem ter concluído a formação, a jovem prodígio já dá aulas em seu ateliê em Jundiaí e em São Paulo, onde mora durante a semana, e vêm crescendo seu acervo de obras encomendadas – tanto para pessoas físicas quanto galerias de arte, atividade que iniciou após conhecer Heloiza, curadora brasileira radicada na França, através de um amigo de sua mãe.

Atualmente, ela trabalha na obra “Eu pago pela sua ignorância”, baseada em fotografias de crianças na Faixa de Gaza. O trabalho estará no rol de peças exibidas no Carrousel du Louvre, em Paris, em 2019. No futuro, Ana se vê como uma artista consolidada e fazendo voluntariado com crianças. “Ajudar é minha missão e a arte é meu meio”, finaliza.

Os traços de Ana parecem não ter direção uniforme, formando imagens desconstruídas do que deveria ser perfeito; “Pinto o que não gosto de ver no mundo”, diz

Os traços de Ana parecem não ter direção uniforme, formando imagens desconstruídas do que deveria ser perfeito; “Pinto o que não gosto de ver no mundo”, diz (Foto: Rui Carlos)

 

 


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