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Masp inaugura programação dedicada à cultura africana

DA FOLHAPRESS | 12/03/2018 | 05:20

Aleijadinho, de mãe escrava e pai português, é síntese do processo de formação social do país e referência na arte sacra dos períodos barroco e rococó, define Rodrigo Moura, curador de uma nova mostra do escultor brasileiro. Mostra que será apresentada até dia 10 de junho o Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Trata da exposição “Imagens do Aleijadinho” e “Maria Auxiliadora: Vida Cotidiana, Pintura e Resistência da Obra”. Serão 37 esculturas do artista, além de fotografias e pinturas de outros artistas que contribuem para a compreensão da importância na história brasileira.

Segundo Moura, Aleijadinho inaugurou a figura da mestiçagem e do mulatismo na história brasileira. Curiosamente, o artista nunca foi retratado em vida, e por isso os trabalhos com o que seria seu rosto diferem em cores e formas.

“As esculturas permitem a compreensão de como um artista no contexto colonial da América e refere aos modelos europeus, sobretudo ao barroco e o rococó, mas também absorve a visualidade africana na América e no contexto da história racial presente em Minas Gerais, já que no final do século 18, os negros e pardos compunham 80% da população”, diz o Moura.

A maioria das esculturas dispostas no primeiro andar do museu já estiveram em altares de igrejas. Mas Moura não quis recriar as cenografias religiosas. “O objetivo é que as obras sejam protagonistas na mostra”, diz.
Para isso, elas estão dispostas dentro de vidros e suspensas todas na mesma altura. “A exposição também conversa com a arquitetura de Lina Bo Bardi”, explica o curador, em referência, por exemplo, aos cavaletes de vidro instalados no segundo andar do museu, em vez de obras nas paredes. Para Moura, a ausência de hierarquias traz à exposição “fluidez e isonomia”.

Maria auxiliadora

As obras da artista mineira Maria Auxiliadora voltam a ser expostas em museus. Para Fernando Oliva, curador da mostra dedicada à artista morta aos 39 anos, em 1974, os termos que a rotularam contribuíram para a limitação da exposição de Maria à época que estava viva.

Dividida em nove momentos, como “Autorretratos”, “Casais”, “Interiores”, “Manifestações populares”, “Candomblé, umbanda e orixás” e “Rural”, a mostra pincela a carreira da artista por meio de 82 pinturas em óleo sobre tela.

Para Oliva, as obras dela transmitem resistência. Ele explica que “naquela época, o racismo era muito mais forte do que hoje em dia. Ela era negra, mulher e oriunda de uma família humilde, e suas obras traduzem isso”.

Cores vibrantes e formas geométricas permeiam o trabalho dela que foi exposto na Bienal de Veneza e outras mostras de peso internacionais.

Apesar de ter vivido em uma época na qual o racismo era ainda mais presente, Maria não retrata os negros em condições desfavoráveis, mas refletindo um otimismo perante à vida, afirma Oliva.

Serviço

Até o dia 10/6 de ter. a dom., das 10h às 18h e qui., das 10h às 20h. O Masp fica na avenida Paulista, 1578. Ingressos custam R$ 30 (inteira).


Link original: https://www.jj.com.br/cultura/masp-inaugura-programacao-dedicada-a-cultura-africana/
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