Cultura

Obra jundiaiense é selecionada para a Bienal de Música


BIEMAL DE MUSICA CONTENPORANEA TADEU MORAES TAFFARELLO
Crédito: Reprodução/Internet
“Não fui feita para grandes coisas. Grandes feitos. Não fui feita grandiosa. Nem prosa. Feita pequena. Faço poesia.”. O poema, conhecido como “Morada”, da poetisa Sônia Cintra, junto com outros 10 textos da autora, fazem parte da obra composta para orquestra de cordas e voz de Tadeu Moraes Taffarello. O concerto foi selecionado para a 23ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea, um dos eventos mais importantes para a música erudita, que será realizado entre os dias 9 e 14 de novembro no Rio de Janeiro. Para essa premiação foram selecionadas 47 partituras em três categorias, sendo de orquestra sinfônica, música de câmara e música mista e acusmática. A elas se somam cinco partituras dos compositores homenageados, totalizando 52 obras. Tadeu conta que a inspiração para a composição veio por conta da amizade com a família de Sônia e pela admiração que ele sentia pela autora. Os poemas foram transformados em canções após uma minuciosa análise e seleção. “Eu passei diversas horas estudando e lendo os textos da Sônia. Durante algum tempo, a Biblioteca Municipal (Nelson Foot) foi o local onde eu passava boa parte do dia, fazendo anotações e decidindo quais textos do acervo dela entrariam na obra”, diz. A princípio Tadeu selecionou nove poemas que considerou indispensáveis. A décima música veio através da amiga, filha de Sônia e contra-baixista Sandra Cintra. Ele conta que resolveu escolher o poema “Volare” por ser o favorito de Sandra. Após um sonho acordou com a melodia e a letra de um dos poemas na cabeça e decidiu acrescentá-lo à obra. “A letra veio pronta. Em uma hora a canção estava pronta. Decidi não ignorar já que ela veio até mim”, conta o compositor. Tadeu compôs a obra como um ciclo. Todas as músicas tem uma ligação temática, seja musicalmente ou por elementos dos textos que serviram como inspiração para mostrar um pouco do vasto mundo de Sônia Cintra. Sandra afirma que para ela é um orgulho ver as obras de sua mãe se tornarem um concerto tão bonito. “Fiquei muito feliz quando o Tadeu me contou sobre o projeto e mais feliz ainda quando vi pronto. Tenho certeza que minha mãe estaria muito orgulhosa pelo trabalho”, conta. Bienal A obra não foi composta exclusivamente para a Bienal, mas após ver o edital Tadeu decidiu arriscar e inscrever o concerto. Para isso, teve que cortá-la, pois o edital só permitia 12 minutos apresentação. Com os 11 títulos, a obra de Tadeu possuía 26. “A princípio pensei em escolher as músicas com menor tempo para que coubesse o maior número, mas depois vi que esse não era o melhor caminho. Foi então que sentei e escolhi as músicas que mais representavam a minha ideia e homenagem. Foi então que consegui fechar em seis canções. Não estava esperando que ela fosse selecionada. Essa é uma oportunidade muito especial. Estou muito animado e já planejando a viagem para o Rio para poder contemplar essa apresentação”, completa.

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