Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

‘Ovo’ mostra malabaristas e trapezistas ao som do forró

FOLHAPRESS | 19/04/2019 | 05:03

Aranhas contorcionistas, libélulas trapezistas e formigas malabaristas fazem acrobacias e dançam ao som de xaxado, funk e samba-canção. “Ovo”, o espetáculo criado e dirigido pela coreógrafa carioca Deborah Colker para o Cirque du Soleil, chega ao Brasil em boa hora, segundo sua criadora. Fica em cartaz até dia 12 de maio no Ginásio do Ibirapuera.
Colker enxerga no enredo escrito há dez anos os temas do momento, como a questão dos expatriados, dos excluídos e da diversidade. Na história, um inseto estrangeiro que carrega seu ovo nas costas é rejeitado por seus pares. Até ser aceito, são necessárias muitas peripécias coreográficas, acrobáticas e teatrais.
Tudo se passa num microcosmo do mundo animal visto com uma lente de aumento. Insetos ganham tamanho humano e seu habitat fica gigantesco. Folhas, flores e frutas em proporções enormes refletem o ponto de vista de formigas e pulgas.
Enquanto os artistas do circo dão saltos mortais ou dançam na parede de escalada (quase uma marca registrada da coreógrafa), o inseto rejeitado conhece uma joaninha também meio diferentona. Começa uma história de amor com final feliz. Estamos no circo. “Escrevi a história há dez anos, mas continua atual. Os imigrantes, os párias da sociedade, os doentes são temas gritantes”, diz Colker.
Com a vinda de “Ovo” para o Brasil, Colker celebra também outro triunfo, o de ser a primeira mulher a dirigir um espetáculo do Cirque du Soleil.
A ligação da coreógrafa com a linguagem circense nasceu antes do ovo. Nos anos 1990, ela trabalhou com a Intrépida Trupe, companhia carioca pioneira do chamado novo circo, mistura contemporânea de dança, teatro e artes de picadeiro.
“Ovo”, de 2009, foi criado a partir de um convite feito por Guy Laliberté. Fundador e diretor-executivo do Cirque du Soleil, Laliberté se encantou com os espetáculos da companhia de Colker, especialmente com as coreografias verticais na parede de escalada.
Junto com a parede, Deborah levou o cenógrafo Gringo Cardia e o músico carioca Berna Ceppas para a montagem.
Para ser contratado, Ceppas passou por uma audição às cegas com outros dois nomes cogitados para a trilha, a francesa Émilie Simon e o baiano Carlinhos Brown. Deu empate e o voto minerva, de Colker, foi para o músico do Rio.
Do diretor-executivo do Cirque, Ceppas recebeu dois pedidos: percorrer o território musical brasileiro e terminar com uma música para levantar a plateia, fazendo todo mundo dançar.
A cena final é um forró, no qual o elenco convida o público para a festa. Além de colocar canadenses, americanos, europeus, australianos ou japoneses para rebolar, é atribuída a Ceppas a façanha de libertar o Cirque da jaula do new age, gênero até então repetido exaustivamente nos espetáculos da companhia.
A trilha de “Ovo” vai por outras ondas, com baião, funk carioca, bossa nova, forró, samba-canção, carimbó.
É com uma bossa nova que a cantora Larissa Finocchiaro abre o segundo ato, cantando sozinha para as plateias sempre massivas do Cirque -em São Paulo, as apresentações são no Ginásio do Ibirapuera, com capacidade para quase 6.000 espectadores.

SERVIÇO
De terça a sexta, às 21h; sáb., às 17h e às 21h; dom., às 16h e às 20h. Preços de ingressos variam de R$ 130 a R$ 580.

T_ovo_groupshots-8

 


Link original: https://www.jj.com.br/cultura/ovo-mostra-malabaristas-e-trapezistas-ao-som-do-forro/
Desenvolvido por CIJUN