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Ricardo Tozzi promete reviravolta em seu personagem

| 08/06/2014 | 00:05

Um gênio da computação que utiliza seu talento para ajudar o próximo. À primeira vista, a história do programador Herval Domingues, interpretado por Ricardo Tozzi na novela “G3ração Br4s1l”, da TV Globo, tem tudo para ser “água com açúcar”. Mas o ator promete uma “virada” no enredo do personagem. Ao menos isso tem tudo para acontecer. Herval viverá um tórrido romance com a ricaça americana Pamela Parker-Marra, feita por Cláudia Abreu. Apenas um detalhe. Ela é casada. “Ainda é cedo para dizer se o público vai aprovar esse casal, mas sei que rola uma identificação de alma entre os personagens. Ele será polêmico, sim, não seguirá estereótipos”, comenta Tozzi.

A temática tecnológica da trama é outro atrativo para o ator, que se diz do tipo “superconectado” e não abre mão de seu celular. “A tecnologia me pega pela praticidade e pela conexão com o mundo, mas confesso que não tenho o menor interesse pela parte técnica”, diz.

Na trama das sete, ele repete a parceria com os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, criadores de “Cheias de Charme”. Foi na novela, de 2012, que viveu seu maior desafio na carreira, ao interpretar os gêmeos Inácio e Fabian. “Ali fui testado mais profundamente. As minhas escolhas foram corajosas, era algo do tipo ‘vai ou racha’”, relembra ele, que começou a carreira na TV em “Bang Bang”, em 2005. Tozzi é formado em Administração e chegou a trabalhar como diretor na Câmara Americana de Comércio.

Três meses após viver o escritor Thales em “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, Ricardo já estava escalado para o horário das sete. Segundo ele, a direção e o elenco fizeram com que o papel fosse irrecusável. O ator ocupa seus dias com as gravações da novela e a turnê da peça “Enfim, Nós”, na qual divide o palco com Maria Clara Gueiros, ex-colega de cena em “Insensato Coração”. Mas faz tudo com muito ânimo, mesmo sem ter quase nenhum tempo livre. “Trabalhar é meu hobby, gosto muito do que faço”, diz.

Leia a entrevista completa abaixo.

O Herval trabalha com programação e é fundador de uma ONG. Você já teve contato com entidades deste tipo?
Ricardo Tozzi – Já tive muito contato. Acho que o terceiro setor tem o potencial de complementar o que o governo não faz, ou faz mal. Na educação, por exemplo. Sinto que estou me aproximando do modelo que quero atuar nesse sentido. Quero falar de perspectiva para quem não tem e acaba sucumbindo pela falta de opção, sobre o que a vida pode ser se você enxergar lá na frente.
A tecnologia é o ponto de partida da novela e o que move também seu personagem. Você é do tipo “superconectado”?
Ricardo – Sim, a tecnologia me pega pela praticidade e pela conexão com o mundo, mas confesso que não tenho o menor interesse pela parte técnica. Não fico sem celular, por exemplo.

Seu personagem vai se envolver com uma mulher casada, a Pamela, vivida por Cláudia Abreu. Acha que, por causa disso, o Herval vai ser tão polêmico quanto o Thales, de “Amor à Vida”?
Ricardo – Ainda é cedo para dizer se o público vai aprovar esse casal, mas sei que rola uma identificação de alma entre os personagens. Sobre o Thales, ele teve sua história interrompida, não foi contada como planejado. O Herval tem uma importância dramatúrgica na história da novela, é bem diferente… Mas ele será polêmico, sim; não seguirá estereótipos.

Mal terminou “Amor à Vida” e você já estava escalado para a trama das sete. Não pensou em tirar férias em vez de começar um novo personagem?
Ricardo – É que a turma, os autores, a direção e o elenco fizeram com que esse papel fosse irrecusável. Na verdade, eu não me seduzo pelo tipo do personagem, e, sim, por ser bem escrito, o que foi o caso do Herval. Tudo isso contou muito.

Você já trabalhou com os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira em “Cheias de Charme”. Quais são as vantagens de repetir essa parceria?
Ricardo – É muito bom conhecer bem os autores. Parece que adivinho quem escreveu qual parte do texto quando o recebo, e sei o que eles esperam da minha interpretação. Mas também dependo da direção para chegarmos ao resultado. Nesta novela sou dirigido por ótimos profissionais (Denise Saraceni é diretora do núcleo) que conheço bem, tudo isso facilita.

Por causa dessa intimidade, chega a colocar “cacos” no texto, ou a fazer alguma mudança em cena?
Ricardo – Não mudo muito, não. Procuro entender o que a cena significa para a trama, para a história e fico feliz se acho que atingimos o que precisava. O importante é o público entender o que está sendo passado.

A Cláudia Abreu também foi sua colega de cena em “Cheias de Charme”. Ficaram amigos depois disso?
Ricardo –  Sim. Ela é maravilhosa. Uma grande atriz, muito talentosa e disciplinada. É ótimo contar com uma parceira assim

Por falar em trabalhos passados, acha que a dupla Fabian/Inácio, de “Cheias de Charme” foi a virada na sua carreira?
Ricardo – Foi, sem dúvida. Embora goste de quase tudo que fiz, sei que ali fui testado mais profundamente. As minhas escolhas foram corajosas, era algo do tipo vai ou racha. Mas também considero o Douglas de ‘Insensato Coração’ um marco para mim. O personagem se comunicou com todo mundo, todas as classes. E é muito gostoso quando isso acontece.

Além de “Geração Brasil”, você está em cartaz no teatro, em turnê com a peça “Enfim, Nós”. Esperava que esse trabalho fosse dar tão certo?
Ricardo – Olha, a peça surgiu da vontade de voltar a trabalhar com a Maria Clara Gueiros, minha parceira em ‘Insensato Coração’, e, sem dúvida, nosso entrosamento é o maior trunfo. Está melhor do que imaginávamos. Como acredito em sinergia, tudo conspirou para o êxito da peça. O texto do Bruno Mazzeo, amigo querido, e do Claudio Torres Gonzaga é a cereja do bolo.

Sobra algum tempo para você fazer alguma atividade, além de trabalhar?
Ricardo – Estou completamente sem tempo livre. Adoro esportes e preciso fazer para me sentir bem, mas trabalhar é meu hobby, gosto muito do que faço. O bom de morar no Rio de Janeiro é que, ao menos, dá para contemplar a beleza da cidade, um cenário lindo para a vida.

E como se sente fisicamente? Já está pensando na chegada dos 40 anos, por exemplo?
Ricardo – Muito bem. Mas fico pensando nos 70 anos. Se chegar lá, quero chegar feliz, fazendo o que gosto e fazendo bem às pessoas ao meu redor. Se não puder contribuir para nada de positivo, fico quietinho. Somos aprendizes, estou no começo da vida. Burro é quem acha que sabe muito.


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