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Solo aproxima tragédia grega da memória escravocrata

DA REDAÇÃO | 15/11/2019 | 09:00

O Sesc Jundiaí recebe, no teatro da unidade, o solo Medea Mina Jeje neste sábado (16), às 19h.

O espetáculo é um poema cênico, no qual Medea, uma mulher negra escravizada na Vila Rica de Nossa Senhora de Pilar de Ouro Preto, nas Minas Gerais do século XVIII, narra o sacrifício de seu filho Age, em uma fricção entre a narrativa polissêmica da Medea negra da Mina Jeje e a leitura da clássica tragédia datada de 431 a.C.

Na peça de Eurípedes, a protagonista mata os próprios filhos para se vingar do abandono de Jasão, por quem havia renunciado à própria família e à terra natal. Em oposição à heroína trágica, em Medea Mina Jeje, a escravizada Medea vê na morte do filho a única libertação possível do sofrimento causado pelo trabalho escravo nas minas de ouro que moveram a economia brasileira colonial durante séculos.

“Medea Mina Jeje é a voz de quem grita, em sussurro, sendo portadora de uma confiança sui generis e percepção, mesmo intuitiva, da condição de opressão em que vive. Ela é portadora de uma busca pela liberdade, ainda que a saída para chegar a isso seja o sacrifício do filho”, afirma o dramaturgo Rudinei Borges.

“O espetáculo nasceu do desejo de conversar com a minha ancestralidade, de abrir os ouvidos para as vozes de indivíduos livres que foram trazidos para o Brasil como escravos e dar voz aos meus mortos”, afirma o intérprete Kenan Bernardes, também idealizador e produtor geral da peça. “Encontrei na tragédia de Eurípedes e na obra homônima do cineasta italiano Pasolini, o fio disparador que deu origem a esta Medea”.

Mina Jeje
A mina em Ouro Preto (MG), que dá nome ao espetáculo, hoje é uma atração turística. No entanto, é mais do que isso: cicatriz da escravidão que perdurou no Brasil por mais de três séculos e trouxe consequências visíveis até hoje nas mais diversas camadas sociais do país, sobretudo para a população negra. Muitos escravizados trabalharam nas minas na extração de minérios em Minas Gerais, um dos estados com maior concentração de negros no século XVIII. As condições de trabalho eram extremamente precárias e provocaram a morte de incontáveis vidas naquele período.

Serviço
Quando: 16 de novembro, sábado, às 19h
Onde: Teatro (220 lugares)
Quanto: R$30,00 (inteira); R$15,00 (meia) e R$9,00 (credencial plena do Sesc. Limite de 2 ingressos por pessoa.
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos


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