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Tom Cruise vive herói preso no tempo

| 31/05/2014 | 19:20

A certa altura de “No Limite do Amanhã”, Tom Cruise diz à sua parceira, vivida por Emily Blunt, coisas que já aconteceram. Ele sabe do futuro até certo ponto, ela não. O filme, no entanto, não precisa mostrar algumas coisas com antecedência para que o espectador compreenda. Há certa confiança no entendimento alheio.

Essa talvez seja a melhor coisa da ficção científica com ação do diretor Doug Liman: não mastigar tudo ao público e, assim, tornar a estrutura mais dinâmica. É um filme sobre a repetição, sobre um militar condenado a viver um mesmo dia repetidas vezes: o dia em que os humanos perdem a guerra contra os alienígenas.

Cruise insiste em não envelhecer e encara o papel de Bill Cage, levado à guerra à força, após ofender um general britânico, e morto em combate. Contudo, as particularidades de sua morte – que envolvem o contato com os alienígenas – permitem que ele retorne ao passado e descubra o plano dos inimigos: dominar o tempo para dominar a Terra.

A premissa está dada, e será seguida por um show de reviravoltas e sequências pulsantes, nas quais Liman revela talento. Mas suas qualidades são mais visíveis quando se trata de saltos, explosões e combates, menores quando deve lidar com os humanos – pois Cruise e Blunt, mesmo empolgantes, não vão além do esperado.

A luta de Cage, em seus repetidos dias de derrota, é encontrar a vitória. Cada morte faz surgir um novo retorno. A cada novo dia – o mesmo dia – ele tem uma nova morte. O filme, claro, depende de seu ponto de vista, pois é ele o único a recordar o que aconteceu antes. A cada novo dia, ele tem de convencer as pessoas a entendê-lo, a acreditar em sua história. Então surge a personagem de Blunt, a guerreira Rita.

Com a imagem estampada em propagandas a favor dos humanos nessa guerra nem sempre explicada (o que não faz grande diferença), Rita tem a técnica que falta a Cage e o treinará para que derrotem os vilões. Do homem simpático ao guerreiro letal, Cage é a última esperança dos humanos.


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