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Trompetista Wynton Marsalis defende mística das big bands

Da redação | 19/06/2019 | 08:00

Um dos maiores trompetistas do jazz, o americano Wynton Marsalis, 57, acha graça diante da pergunta sobre seus próximos projetos pessoais, longe da Jazz at Lincoln Center Orchestra. Para ele, não existe nada mais pessoal do que a big band que ele criou há três décadas em Nova York.

Ele desembarca em São Paulo com os músicos do grupo para sua mais extensa temporada no Brasil. Serão 20 eventos em 12 dias, entre concertos e atividades educativas, programados em oito unidades do Sesc na Grande São Paulo. No caso de sua orquestra, tocar e ensinar são ações indissociáveis.
“Quando começamos, tinha duas ambições: reviver a mística das big bands e ensinar música. Eu não fazia ideia do que isso se tornaria”, diz Marsalis.

Hoje, a orquestra chega a 31 anos de atividade, com turnês pelo mundo e 15 discos lançados. O último álbum do trompetista sem a sua JLCO foi “The Spiritual Side of Wynton Marsalis”, de 2013. De lá para cá, gravou quatro álbuns com o grupo.

A agenda em São Paulo começa no dia 19 e terá 11 concertos, dois ensaios abertos, um encontro de Marsalis com o público, duas palestras e quatro workshops com músicos da orquestra.

Dois concertos serão comentados pelo próprio Marsalis, que falará com o público entre a execução das músicas. “Eu falo um pouco entre as peças apresentadas, mas fico chateado em não falar o idioma, mesmo com os tradutores ajudando”, conta o músico.

O caráter educativo da Jazz at Lincoln Center Orchestra não representou uma mudança de orientação na carreira de Marsalis. Seu pai, o pianista Ellis Marsalis, ensinou jazz aos quatro filhos: Wynton, Branford (saxofonista), Delfeayo (trombonista) e Jason (baterista).

Marsalis defende que trazer os jovens para o jazz é uma questão de exposição, de levar a música até eles. “Como meu pai era músico, eu ia sempre aos concertos. Jazz, música clássica, música popular. Vivi desde muito cedo cercado pela música, não sei como é viver sem ela.”

Sem esconder sua aversão declarada ao hip-hop, que deu a ele um rótulo de tradicionalista radical, ele cobra de seus alunos uma busca intensa de gêneros. “Os jovens precisam ser expostos a mais coisas do que as canções populares que fazem sucesso. A tecnologia de hoje tem ferramentas de pesquisa fantásticas. A pessoa tem de ser estimulada a buscar coisas novas, música boa.”

O músico já declarou que considera o rap uma música “guiada por hormônios”. Para ele, “hip-hop provoca um comportamento destrutivo em casa e conduz o afro-americano a uma visão do mundo totalmente negativa”

Na temporada paulistana, a orquestra terá reforço de quatro músicos brasileiros em algumas datas. Ari Colares (percussão) e Nailor Proveta (sax e clarinete) tocam no concerto “Masters of Jazz”, com obras clássicas de grandes nomes do gênero, incluindo o brasileiro Moacir Santos.


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