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Viagem através do tempo é o grande trunfo da série “Dark”

Mariana Checoni | 05/07/2020 | 09:00

Em dezembro de 2017, a Netflix lançou a primeira temporada da série Dark, produção original alemã, que se passa na fictícia cidade de Winden e relata os mistérios envolvidos no desaparecimento de uma criança. O lançamento foi um sucesso e mexeu com a cabeça de muita gente. Pouco menos de dois anos depois, em junho de 2019, a segunda temporada foi lançada, para alegria – e ainda mais confusão – dos fãs.

Desde 2019, a Netflix já havia anunciado que a série se encerraria na terceira temporada, cujo lançamento foi no último sábado (27) e causou um alvoroço entre os espectadores, nas redes sociais. Com apenas uma semana de encerramento da trilogia, Dark já é considerada a melhor série da Netflix, desbancando grandes sucessos, como Stranger Fhings e Black Mirror.

Para o crítico e produtor de conteúdo Felipe Gonçalves, o que atrai a atenção do público é a trama complexa que a série apresenta. “Acho que o tema viagem no tempo e até mesmo o emaranhado entre as famílias e situações que a série propõe prendem as pessoas. A Netflix democratizou muito a televisão mundial, e o grande trunfo de Dark é o roteiro e a escalação de elenco impecáveis. Nota-se que foi uma produção extremamente bem escrita e bem planejada desde o início. O elemento de mistério e as questões relacionadas ao tempo conquistam a atenção, mesmo não compreendendo muito bem maior parte da trama, as revelações e o desfecho compensam muito”, afirma.

E aconselha. “A série deixou pontinhas soltas e algumas coisas sem as respostas que eu gostaria, mas o final me agradou bastante. Só pela ousadia dos produtores, vale a pena conferir. Gostei muito de como a fotografia te situa em qual época a série está.”

A educadora infantil Kaiane Pinheiro, 25 anos, é exemplo disso. Conta que sempre gostou de filmes e séries de ficção científica e o tema chamou sua atenção quando Dark foi anunciada. “O universo que eles criaram é muito complexo, e isso instiga a pensar, repensar e assistir aos episódios mais de uma vez para não deixar nenhum detalhe passar. Isso nos coloca em uma imersão muito grande. A terceira temporada foi um pouco abaixo das minhas expectativas, deixaram muitos pontos sem conclusão ou apenas colocaram na história sem explicação, mas falando da série, como um todo.”

Para a jovem, o motivo que faz as pessoas gostarem tanto da trama éatemática retratada. “A série apresenta muitas indagações filosóficas de existência, livre arbítrio e destino, além de todas as ligações religiosas destacadas. Isso prende as pessoas e além do entretenimento, faz refletir”, afirma.

TODOS OS PÚBLICOS

Dark retrata assuntos científicos o tempo todo. Física quântica, viagem no tempo, invenções e energia nuclear são apenas alguns exemplos. Contudo, é tratada de uma maneira tão sutil, que mesmo quem não é fã do tema se prende na trama.

É o caso de Heitor Galceron, 21 anos, apesar de não se considerar grande apreciador do tema, o desenvolvimento da trama fez com que ele assistisse duas temporadas em uma semana, seis dias antes do lançamento da terceira, e a terceira em algumas horas, no dia do lançamento. “O jeito que a série se desenvolve, com todo o suspense, mistura de gerações e viagens no tempo, me prendeu. Você começa a teorizar sobre o que pode acontecer, mas considera toda a história da série, e vê que até aquele ponto tudo é possível e pode mudar. Isso te mata de curiosidade. Gostei bastante do final, algumas pontas ficaram soltas, como em toda produção. Mas de forma geral, a história como um todo foram boas e entregaram tudo que a série prometia e deixava de expectativa até a segunda temporada”, afirma.

Para Heitor, o segredo para o sucesso de Dark foi uma junção de fatores. “O primeiro é gosto próprio. Se a pessoa gosta desse gênero, seja ficção ou suspense, ou qualquer outro tema que a série aborda, vai curtir. A segunda é a fama. Por carregar o título de “original da Netflix”, a série gera uma expectativa. A terceira é o ‘boca a boca’. Um amigo seu vê, sugere ao outro que gosta e indica para mais alguns, e assim vai. Dark tem as três coisas. Criouse com o decorrer da série uma grande base de fãs, é uma produção da Netflix e ainda tem essa característica marcante de você assistir e não entender nada, ficar confuso, e continuar curioso. Para mim, esse foi o segredo”, acredita.

O estudante Henrique Lopes, 21 anos, também se encaixa no público que não é fã de ficção científica, mas gosta da série. Acredita que, apesar de gerar certa confusão, foi a série que mais fez sentido da plataforma. “O final esclareceu muitos pontos que estavam soltos, ele conseguiu responder todas as perguntas que ficaram das outras temporadas. No começo, dá a entender que pode surgir uma quarta temporada, mas quando você dá play nos dois últimos episódios, percebe que eles amarram a trama de uma forma tão bem feita, que tudo faz sentido.

Henrique ressalta “Dark é uma produção muito grande. A confusão que os produtores causaram na primeira temporada foi o que mais instigou a continuar assistindo, tanto que esperamos um ano e meio para ver a continuação, na segunda temporada e depois mais um ano para a terceira. Foi uma série natural, com um desfecho que valeu a pena assistir e não se perdeu no meio do caminho, como outras séries. Além disso, o principal ponto é que a série prende a atenção porque trabalha com algo que ainda é desconhecido, as viagens no tempo, mas com pessoas reais. Ninguém tem um ‘superpoder’, é gente comum, que, por meio da ciência, descobriu como viajar no tempo. É essa sutileza que faz com que Dark te prenda do começo ao fim”, completa.

 

 

 


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