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Vinte anos de ‘Royale with cheese’

| 08/06/2014 | 00:10

Parece que foi ontem. Dois mafiosos conversam em um carro enquanto seguem a um destino ainda não explicado. Um deles acabou de retornar da Europa e conta ao outro o nome de um lanche do McDonald’s francês. “Royale with cheese”, diz Vincent Vega, interpretado por John Travolta, ao amigo Jules (Samuel L. Jackson).

Com detalhes pequenos e marcantes, “Pulp Fiction: Tempo de Violência” entrou para a história. Tal como alguns clássicos, boa parte das lembranças do filme reservam-se às suas frases, que levam tanto à comédia quanto à violência. Pois “Pulp Fiction”, agora com 20 anos completados, tem muito dos dois – e às vezes ao mesmo tempo. A história é picotada, conhecida e envolve diferentes situações: o matador que leva a mulher do chefe para uma noite de diversão, o lutador de boxe que é pago para perder a luta, o casal de ladrões que resolve assaltar um restaurante.

A certa altura, Tarantino faz com que todas essas histórias unam-se a partir de um roteiro exemplar, premiado com o Oscar. Tal como seus mestres, a começar por Sérgio Leone, o diretor busca algumas situações manjadas de filmes passados e procura subvertê-las, ou incorporá-las à cultura pop de seu tempo.

Continua por ali a velha história do mafioso envolvido com a mulher do chefe, ou a do boxeador que não entrega a luta e, por isso, tem problemas com bandidos. Apesar de violentas, as fitas de Tarantino têm mais diálogos do que sangue. O diretor tem um raro talento para criar clima a partir de suas falas e quase sempre não se preocupa com a verossimilhança. Seus trabalhos apostam sempre na diversão.


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