Economia

Dólar bate em R$ 5,79, mas reduz alta após ação do BC; Bolsa cai mais de 3%

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, refere-se ao dólar comercial


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Crédito: REUTERS/Rick Wilking

O dólar comercial chegava a subir quase 2% na manhã de hoje (28), encostando em R$ 5,79. O Banco Central interveio para tentar conter a alta e, por volta das 14h50, a moeda norte-americana subia 0,97%, negociada a R$ 5,736 na venda. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operava em queda de 3,48%, a 96.138,94 pontos.

Ontem (27), o dólar subiu 1,25%, fechando a R$ 5,682 na venda, e a Bolsa caiu 1,4%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Segundo especialistas, os investidores estão comprando dólar em busca de segurança, em meio à forte disseminação da covid-19 em grandes economias e à aproximação da eleição norte-americana. Com maior procura por dólares, a moeda sobe.

O receio de que novas medidas de isolamento prejudiquem a recuperação econômica fez a Bolsa despencar, e todas as ações operavam baixa. Os piores resultados vinham de empresas ligadas ao setor de turismo e empresas aéreas, como Azul, Gol e CVC, em movimento semelhante ao que aconteceu entre fevereiro e março, quando a pandemia de coronavírus chegou ao Brasil.

As Bolsas dos Estados Unidos e da Europa também operavam em forte queda hoje.

Além disso, o mercado espera a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros, a Selic.

BC intervém para conter alta

O Banco Central anunciou para esta sessão leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em abril e agosto de 2021.

Por volta das 10h, o BC confirmou que vendeu US$ 1,042 bilhão à vista.

Segundo Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora, o BC tem apresentado estratégias pouco eficientes de intervenção no mercado de câmbio, evitando adoção de medidas como a venda de novos swaps para não passar uma imagem de preocupação com o cenário.

Em relação ao leilão à vista deste pregão, Nehme opinou que "é só uma sinalização de que o BC está atento. Você só age com o mercado a vista quando há um fluxo muito negativo."

Nova onda de contaminação alerta investidores

A Comissão Europeia propôs nesta quarta-feira uma série de medidas novas para combater a pandemia de covid-19 na União Europeia, dizendo que o novo pico de infecções no continente é "alarmante".

Agora que a Europa voltou a ser o epicentro mundial da pandemia, o Executivo da UE convocou os 27 governos do bloco a fazerem mais, e de maneira mais coordenada, contra o vírus.

Entre os investidores, o principal temor diante de uma segunda onda da doença é a reimposição de lockdowns nas principais economias, que poderia minar uma frágil recuperação global diante do tombo causado pela pandemia. A França e a Alemanha, duas gigantes europeias, já consideravam a adoção de novas restrições à atividade.


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