Economia

Investimento em produção é o menor em 53 anos


Indústria Wirth Calçados Dois Irmãos (RS) 14.04.2006 - Foto: Miguel Ângelo
Crédito: Reprodução/Internet

Se o Brasil não começar rapidamente a aumentar o volume de investimentos, o país terá uma década perdida, com baixo ou nenhum crescimento econômico, fraca geração de empregos e desenvolvimento limitado. Investimento é todo o gasto que aumenta a produção de um país. O nível atual é o pior em 53 anos. Segundo economistas, o país precisa voltar a atrair dinheiro do setor privado, local e estrangeiro, já que o governo está muito endividado e sem espaço no Orçamento para gastar em novos projetos.

O desafio, apontam os economistas, é convencer empresários e investidores brasileiros e estrangeiros que o país é seguro para investimentos. Será necessário que o governo federal e o Congresso toquem as reformas (como a tributária e a administrativa) e definam regras para setores como o de ferrovias e o de gás. Além disso, o crescimento da dívida precisa ser contido.

Investimento é tudo que aumenta a capacidade de produção de um país. Uma loja que abre um novo corredor de gôndolas, uma indústria que compra uma máquina para produzir mais, uma fazenda que amplia a área de cultivo, uma nova estrada que permite a circulação de mais veículos.

Se não há investimento, a nação fica estagnada de alguma forma. Mesmo que o consumo tenha algum crescimento, rapidamente começam a faltar produtos, e isso provoca inflação ou alta do dólar. Há inflação quando existe mais procura por uma mesma quantidade de itens. O dólar sobe quando a baixa oferta é compensada com importações.

O investimento no Brasil em relação ao tamanho do PIB (Produto Interno Bruto) chegou ao menor patamar desde 1968, segundo estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

O país tem hoje uma taxa de investimento em relação ao PIB que fica atrás do mundo. Perdemos para a média mundial, para a média das economias emergentes e até para a média da América Latina e Caribe. Por isso, o país tem dificuldade em manter um ritmo de crescimento do PIB.

Para investir, empresários e investidores precisam fazer contas para saber se vão ganhar dinheiro. A incerteza é inimiga dos investimentos, dizem os economistas. O histórico do Brasil de inflação descontrolada, juros elevados e mudanças de políticas econômicas está na memória dos mercados. Em momentos de crise, essas incertezas acabam falando mais alto.

É o que está acontecendo desde 2020. Com a crise mundial provocada pela pandemia, a atividade econômica ficou mais engessada, drenando ainda mais o fluxo de capital para o Brasil.

Para piorar, algumas decisões tomadas pelo governo aumentaram as incertezas. Economistas dizem que a interferência do presidente Jair Bolsonaro em companhias importante como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras passam a mensagem de que o governo pode, a qualquer momento, mudar as regras do jogo dos negócios.

Ao longo dos anos, o Brasil tentou incentivar investimentos com dinheiro público. Foi assim, por exemplo, nos anos 1970 e, mais recentemente no governo da presidente Dilma Rousseff. Mas em ambos os casos, o resultado foi um rápido aumento da dívida pública e, na mesma onda, inflação -dois males que abortaram o ciclo de expansão.


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