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Desemprego recua para 14,1% e ainda atinge 14,4 milhões


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Desemprego recua para 14,1% e ainda atinge 14,4 milhões
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A taxa de desemprego recuou para 14,1% no Brasil, no segundo trimestre deste ano, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (31).

Mesmo com a redução, o país ainda registra 14,4 milhões de desempregados. Pelas estatísticas oficiais, um trabalhador é considerado desocupado quando não está atuando e segue em busca de novas oportunidades, com ou sem carteira assinada.

No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego era de 14,7%. Havia 14,8 milhões de desocupados.

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O resultado do segundo trimestre ficou abaixo do esperado pelo mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 14,4% entre abril e junho.

O indicador, contudo, segue acima do registrado no segundo trimestre de 2020 (13,3%).

Conforme o IBGE, o recuo na taxa de desemprego, na comparação com o início de 2021, foi influenciado pelo aumento no número de pessoas ocupadas ?aquelas que estavam trabalhando de maneira formal ou informal.

O contingente de ocupados avançou 2,5%, de 85,7 milhões para 87,8 milhões. Ou seja, teve acréscimo de 2,1 milhões.

Assim, o nível de ocupação subiu 1,2 ponto percentual, para 49,6%. Isso indica que, mesmo com o avanço, menos da metade da população em idade para trabalhar (14 anos ou mais) está ocupada no país.

"O crescimento da ocupação ocorreu em várias formas de trabalho. Até então vínhamos observando aumentos no trabalho por conta própria e no emprego sem carteira assinada, mas pouca movimentação do emprego com carteira. No segundo trimestre, porém, houve um movimento positivo, com crescimento de 618 mil pessoas a mais no contingente de empregados com carteira", explicou Adriana Beringuy, analista da pesquisa do IBGE.

Em termos percentuais, o número de empregados com carteira assinada no setor privado avançou 2,1%, totalizando 30,2 milhões no segundo trimestre do ano.

A ocupação também avançou entre abril e junho com o aumento de 3,4% no número de empregados no setor privado sem carteira. O contingente foi estimado em 10 milhões.

Um dos dados que chamam atenção na pesquisa é o avanço do trabalho por conta própria. No segundo trimestre, essa modalidade alcançou o patamar recorde de 24,8 milhões de pessoas. Houve alta de 4,2% (mais 1 milhão) na comparação com o período de janeiro a março.

Dentro do trabalho por conta própria, o destaque é o grupo que trabalha sem CNPJ. Esses trabalhadores informais passaram de 17,9 milhões para 19,2 milhões entre o primeiro e segundo trimestre. Ou seja, houve alta de 6,2%.

Enquanto isso, os profissionais por conta própria formalizados, com CNPJ, recuaram 2%, de 5,9 milhões para 5,6 milhões.

Os dados do IBGE ainda sinalizam uma tentativa de retomada desigual entre os estados. No segundo trimestre, 13 das 27 unidades da federação tinham taxa de desemprego de 15% ou mais.

A maior foi registrada em Pernambuco: 21,6%. Em seguida, vieram Bahia (19,7%) e Sergipe (19,1%). Na outra ponta da lista, aparece Santa Catarina, que tem a menor taxa do país (5,8%).

A chegada da pandemia, em 2020, atingiu em cheio o mercado de trabalho. Com as restrições e a paralisação de empresas, houve destruição de vagas em diferentes setores, e mais brasileiros foram forçados a procurar emprego.

Na visão de analistas, a melhora consistente do mercado de trabalho dependerá em grande parte do desempenho do setor de serviços. O segmento, principal empregador do país, sofreu com as restrições na crise porque reúne atividades que dependem da circulação de consumidores.

Bares, restaurantes, hotéis e eventos são exemplos de serviços prejudicados pelo coronavírus. O setor, agora, tem expectativa mais positiva devido às menores restrições e ao processo de vacinação contra a Covid-19.

Economistas, entretanto, acreditam que o desemprego só deve retornar ao nível pré-pandemia em 2023, mostrou reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

Adriana Beringuy, analista do IBGE, destacou nesta terça que a vacinação é um estímulo para o mercado de trabalho, mas alertou que a recuperação consistente também depende de um conjunto de outros fatores. Entre eles, está o aquecimento da economia com o consumo das famílias. Neste momento, o consumo é prejudicado pela escalada da inflação.

"A gente tem uma série de coisas que pode dar uma direção x ou y para o indicador [desemprego]. A vacinação pode contribuir bastante para a recuperação do mercado de trabalho, mas a gente sabe que não depende só disso", disse.

A Pnad ainda mostra que o desemprego varia conforme sexo, cor e nível de escolaridade. No segundo trimestre, a taxa de desocupação foi maior entre mulheres (17,1%) na comparação com homens (11,7%).

Também foi mais elevada entre pretos (16,6%) e pardos (16,1%) do que entre brancos (11,7%). No recorte por nível de escolaridade, o indicador para pessoas com nível superior incompleto (16,5%) foi mais do que o dobro do que o registrado entre aquelas com superior completo (7,5%).

A divulgação anterior da Pnad Contínua ocorreu no final de julho. À época, o ministro Paulo Guedes (Economia) questionou a metodologia da pesquisa e chegou a dizer que o IBGE estava na "idade da pedra lascada".

Para o ministro, o levantamento estaria atrasado, usando entrevistas por telefone para calcular a taxa de desemprego. Na ocasião, Guedes mencionou que os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, mostram que o Brasil está criando empregos "muito rapidamente".

O IBGE começou a adotar consultas telefônicas devido à pandemia. O instituto vem retomando gradualmente as atividades presenciais.

A afirmação de Guedes foi rebatida por analistas. À época, eles destacaram que a base da pesquisa do IBGE é diferente da contemplada pelo Caged. Enquanto a Pnad Contínua analisa tanto o universo de trabalhadores formais quanto o de informais, o cadastro do Ministério da Economia é centrado nas vagas com carteira assinada.


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