Economia

Alta da Selic e economia fraca interrompem altas da Bolsa


Divulgação
Alta da Selic e economia fraca interrompem altas da Bolsa
Crédito: Divulgação

Sinais de que o Banco Central continuará a aumentar agressivamente a taxa básica de juros (Selic), mesmo com a economia do país parando de crescer, indicaram ao mercado nesta quinta-feira (9) que as empresas listadas na Bolsa de Valores brasileira enfrentarão uma temporada de vacas magras.

O Ibovespa, índice referência da Bolsa, fechou nesta quinta em queda de 1,67%, a 106.291 pontos. A sessão encerrada no vermelho interrompeu uma sequência de cinco altas seguidas, que foram motivadas, principalmente, pela redução do temor da variante ômicron do coronavírus.

No mercado de câmbio, o dólar ganhou impulso devido a um movimento global de aversão ao risco diante da expectativa de aumento da inflação nos Estados Unidos. A divisa americana fechou o dia em alta de 0,72%, a R$ 5,5750.

No Brasil, após o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) ter elevado a Selic em 1,5 ponto percentual nesta quarta (8), investidores passaram a avaliar o recado da autoridade monetária sobre a necessidade de avançar no aperto monetário para frear o avanço da inflação.

O mercado já contava com o aumento de 7,75% para 9,25% da Selic, o que foi confirmado, mas recebeu com preocupação a indicação de continuidade da escalada dos juros.

"O discurso do Banco Central teve um tom hawkish [que sugere elevação maior e mais rápida da taxa de juros, no jargão do setor], o que aqueceu as discussões no mercado sobre a probabilidade de uma nova alta de 1,5 ponto percentual na próxima reunião", escreveram analistas da equipe de pesquisas da Ativa Investimentos.

No comunicado divulgado na quarta, o Copom afirmou que "é oportuno avançar de forma significativa o processo de aperto monetário no território restritivo". O acréscimo da palavra "significativa" em relação ao comunicado anterior foi um dos pontos responsáveis por ligar o sinal de alerta para os investidores, segundo Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

"Temos uma expectativa de Selic alta e fraco crescimento ao longo do ano que vem, combo que prejudica o potencial de valorização das empresas domésticas, fato que explica mais um pregão de forte queda do setor de varejo", destacou Ribeiro.

Entre as principais quedas da Bolsa nesta quinta estavam Lojas Americanas (-9,24%), Americanas (-8,56%) e Magazine Luiza (-7,78%).

Diante dos sinais de continuidade do aperto monetário, a taxa de juros dos contratos DI (Depósitos Interfinanceiros) com vencimento em janeiro de 2023 subiu 0,24 ponto percentual, para 11,61% ao ano.

Negociada entre instituições financeiras, a taxa DI para o início de 2023 revela o que o mercado espera sobre o rumo dos juros do país ao longo do próximo ano.

No exterior, preocupações com a escalada da inflação também ditaram o comportamento dos mercados globais de ações.

A divulgação do relatório de preços ao consumidor nesta sexta-feira (10) poderá influenciar a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sobre a necessidade de antecipar o aumento da taxa de juros do país.

Uma inflação acima do esperado pode levar a autoridade monetária a acelerar a diminuição das compras de ativos realizadas pelo governo para estimular a economia durante a crise gerada pela Covid-19.

As duas medidas tiram liquidez das bolsas e têm impacto negativo importante sobre a decisão de investidores em aplicar em mercados emergentes como o do Brasil.

Composto por empresas de tecnologia cujo desempenho em bolsa tende a piorar em um cenário de alta dos juros, o índice Nasdaq fechou em forte queda de 1,71%. O S&P 500, referência do mercado acionário americano, cedeu -0,72%. O Dow Jones fechou estável.

O petróleo fechou em forte queda de 2,53%, com o barril cotado a US$ 73,90 (R$ 410,57). As ações preferenciais da Petrobras recuaram 0,20%.


Notícias relevantes: